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28 dezembro, 2008

Crise Econômica - 1

A crise pode ser explicada de várias formas, mas com certeza a impreensa nacional costuma complicar, para facilitar a sua vida, o Diário de um Workaholic traz a você a compilação de duas reportagens:

O jeito complicado de se explicar a crise:

Dicionário de Jargões da Crise, um especial do estadão.

alavancagem, desalavancagem
Alavancagem é a obtenção de recursos para negociar ativos (ver ativos) e derivativos (ver derivativos) por um valor maior do que o seu patrimônio pode cobrir. Em outras palavras, é quando você investe mais do que você tem. Assustador, não? Pois é rotina no mercado financeiro. Um banco conservador tem US$ 1 de patrimônio para cada U$ 10 investidos. Para os mais arrojados, a relação vai a US$ 1/US$ 30. É a estratégia de cinco entre cinco bancos de investimento (ver bancos de investimento).
Desalavancagem é o contrário: é quando o investidor se desfaz de empréstimos e obrigações com o objetivo de reduzir a relação entre seu investimento e seu patrimônio.

economia real
sequer investiu; enfim, quando uma crise financeira rompe a bolha de Wall Street, é que chegou à economia real.
Os efeitos mais sentidos da atual turbulência é a escassez de crédito, a queda no preço das commodities (ver 'commodities') e maxidesvalorização (ver 'máxi') de moedas frente ao dólar.

securitização
empréstimos em aplicações que podem ser negociadas no mercado financeiro. Seu propósito é pulverizar os riscos, minimizando-os. Mas esta crise tem demonstrado que a securitização indiscriminada, com fins de especulação, pode provocar o efeito contrário, multiplicando os riscos. Foi justamente o que aconteceu com o mercado de subprime (ver 'subprime')

máxi
maxidesvalorização. Nomeia a abrupta queda do valor de moedas de todo o mundo frente ao dólar. No Brasil, a cotação da moeda americana saltou de R$ 1,56 para mais de R$ 2 em apenas dois meses.
A desvalorização do real deveria deixar exportadores bastante felizes. Mas deu-se o contrário. É que muitos haviam apostado no real forte em operações altamente especulativas conhecidas como venda de opções de compra (ver 'mercado de opções'): captaram mais dólares do que precisavam, trocaram em reais no Brasil e apostaram no mercado futuro que a cotação não passaria de (exemplo real) R$ 1,8, com a expectativa de lucrar com o juro alto. Agora estão ameaçados de ter de vender dólares ao teto combinado de R$ 1,80, mais de 10% abaixo da atual cotação.

negative feedback loop
Traduz-se por 'circuito de retroalimentação negativa'. Também conhecido como pânico: é quando todos os operadores parecem vender tudo que tem para fugir do mercado

papel podre
É o pária do mercado financeiro: títulos que não tem credibilidade e por isso não encontram comprador, por mais que se desvalorizem. Alguns dos exóticos títulos lastreados em hipotecas (ver 'subprime') que inundaram o mercado e arrastaram grandes bancos de investimento (ver bancos de investimento) para o centro da crise são os papéis podres da vez. São estes títulos que governos de todo o mundo estão inclinados a comprar, para injetar liquidez (ver 'liquidez') nos mercados.

derivativo
nome. Uma ação, que é um ativo, pode ser comprada e vendida no mercado à vista. Já o direito de compra desta ação a um certo valor até uma certa data é um derivativo. Esta operação não envolve necessariamente a ação, mas sim a opção de comprá-la ou vendê-la. Transações deste tipo são realizadas no mercado futuro ou no mercado de opções (ver 'mercados').

circuit breaker
eduzir a volatilidade durante o pregão. É disparado quando a variação nos preços dos papéis excede algum limite pré-estabelecido - que varia de bolsa para bolsa.
Em São Paulo, o 'circuit breaker' será acionado sempre que índice registrar uma queda superior a 10% em um mesmo dia. O objetivo é conter o pânico. Ironicamente, em tempos de crise, o circuit breaker tem sido tomado ele próprio como mais um ingrediente do pânico.

liquidez
quem quer vendê-lo, compromete toda a rentabilidade. Uma ação, a rigor, é líquida: salvo cláusula contratual, pode ser vendida diariamente no mercado. Mas, como certos imóveis, a necessidade de vendê-la por significar prejuízo. Daí que, regra geral, ação é um investimento para quem tem certo fôlego financeiro e pode esperar a melhor hora pelo melhor retorno.

hedge, fundos de hedge
brasileiras abandonasse o hedge cambial, mas a disparada da moeda americana já provoca uma reversão.
Fundos de hedge, a rigor, são os que se dedicam a intermediar e administrar este tipo de operação. Mas isso nem sempre significa proteção. Ao contrário. É uma atividade de grande risco, na medida em que envolvem alta alavancagem (ver 'alavancagem'), baixo capital inicial e muita venda a descoberto (ver 'vendas a descoberto').

subprime
Durante os anos de juros baixos, os americanos aproveitaram para refinanciar suas casas, levantar dinheiro e até adquirir outras, aumentando o patrimônio. Quando os juros subiram, como forma de conter o consumo e a inflação, as parcelas do financiamento das casas começaram a subir - e muito rapidamente para quem havia utilizado as linhas subprime. O resultado foi a inadimplência generalizada. Até aqui teríamos apenas o estouro de uma bolha imobiliária. Mas a quebradeira logo chegou ao mercado financeiro, uma vez que estes créditos de risco já há muito circulavam na ciranda financeira (ver 'derivativos')

à vista, a termo, opções
venda de um ativo em uma determinada data ou período. Por exemplo: se um investidor acha que um determinado papel vai subir muito no futuro, ele pode tentar adquirir o direito de compra deste papel a um certo valor. Se de fato o preço subir, ele pode exercer sua opção e adquiri-lo pelo valor acertado. Resta claro que o risco de vender um opção de compra é sempre maior que o de adquiri-lo. Por isso, os compradores, exercendo ou não sua opção, pagam sempre um prêmio ao vendedor.

recessão, depressão
passo da recessão. Teme-se, na verdade, sua forma mais severa: a depressão, com impactos mais profundos e uma recuperação mais lenta. Não há definições técnicas para depressão, mas convencionou-se falar em queda de mais de 10% do PIB. Nestes termos, a última depressão que os EUA conheceram foi a famigerada Grande Depressão, nos anos 30 (ver 'crash').

passivo, ativo
Passivo são as dívidas e obrigações de uma empresa. Ativo é o patrimônio: bens, títulos, ações, moedas, ouro etc.

crash
Crash é de causar arrepios. Remete ao histórico colapso da bolsa de Nova York de 1929, a que se seguiu a Grande Depressão(ver 'depressão'), durante a qual 40% dos bancos americanos faliram, o desemprego atingiu 25%, as pessoas perderam seus depósitos, e as empresas, acesso ao crédito. À calamidade econômica, seguiu-se uma escalada totalitária que culminou na Segunda Guerra Mundial.
Porque a atual hemorragia nos mercados é tão intensa e vertiginosa quanto a do fatídico outubro de 1929, já há analista falando no 'Crash de 2008'.

swap cambial, swap reverso
recurso com o qual o Banco Central procura compensar a escalada do dólar. Os contratos de swap cambial equivalem a uma venda indireta de moeda e servem sobretudo para quem precisa se proteger da variação do câmbio. Nessa operação, as instituições que adquirem os contratos têm a garantia do BC de receber a variação do dólar no período do contrato – para cima ou para baixo. Em troca, têm de pagar juros de mercado ao BC.
Contratos deste tipo não eram oferecidos há dois anos. Nesse meio tempo, o BC praticou eventualmente a modalidade reversa do swap cambial: foi credor em dólar e devedor em taxa de juros. O objetivo era também reverso: compensar a queda abrupta do dólar.

default, swap de default
ver com a atuação do Banco Central no mercado de câmbio. O que trouxe este derivativo (ver 'derivativos') ao centro da crise é que há muito mais CDSs em circulação do que os títulos que eles deveriam cobrir. Trata-se de um mercado de dezenas de trilhões de dólares, pouco regulamentado, cujo vigor dependeu justamente da confiança de que não haveria calote...

vendas a descoberto
praças. Por meio das vendas a descoberta, operadores prometem vender no futuro algo que ainda não tem - e em geral nem prentedem ter. É uma aposta na queda do valor dos papéis. E é uma aposta arriscada: caso suba a cotação, a outra parte certamente vai exigir a entrega do papel, e o operador se verá obrigado a comprá-lo pelo preço de mercado.

commodities
diversos mercados. Exemplos: soja, café, milho, petróleo, ferro, alumínio, borracha, algodão etc. A atual turbulência financeira tem derrubado a cotação das commodities. A razão disso é que o provável efeito de uma crise desta magnitude é deprimir o consumo nos países mais ricos e, por conseqüência, a demanda por commodities. Tomados pela aversão ao risco, os investidores procuram então trocar seus investimentos em commodities pela segurança do dólar e dos títulos do Tesouro americano, os T-Bonds.
A queda no preço das commodities tem impacto direto na balança comercial do Brasil, uma vez que estão no centro da pauta de exportação, e também na Bolsa de São Paulo, via papéis das gigantes Petrobras e Vale do Rio Doce, entre outras.

bancos de investimento
Em 1933, durante a Grande Depressão, o congresso americano passou o Ato Glass-Steagall, que separou os bancos comerciais dos bancos de invesimento. A lei impedia o acesso a depósitos considerados seguros por parte de instituições financeiras envolvidas em transações de alto risco. Põe risco nisso. Nenhum dos gigantes do setor, alguns centenários, escapou da crise atual. O Lehman Brothers quebrou. O Merrill Lynch foi forçosamente vendido ao Bank of America. O Bear Stearns, ao JP Morgan. Goldman Sachs e Morgan Stanley, os últimos bancos de investimento independentes, solicitaram mudança de status, para holding bancárias. Serão sujeitas a uma regulamentação muito mais intensa, mas terão acesso aos depósitos considerados mais seguros.

A forma interativa e divertida de explicar a mesma crise:
Sequencia de três vídeos produzidos pelo Marcelo Tas, encomendados pela UOL

Tas na Crise 1: A Crise Vista do Taxi


Tas na crise - Episódio 2: Analistas 'chutam' previsões


Tas na Crise - Episódio 3: "A crise dentro da cabeça"

Crise Econômica - 2

Como havia prometido, resolvi escrever sobre a crise ecônomica.



Como todos nós, esquecemos do mundo neste fim de ano, é bom lembrar que o ano de 2009, será o pior ano para a economia global desde a Crise do pretróleo de 1973, sendo essa afirmação algo otimista, afinal existem analistas que colocam essa crise como a maior do capitalismo moderno.

Se ela será maior ou menor para o mercado global, não é o cerne dessa questão, mas quanto e como ela irá atacar o Brasil e o seu bolso, além do mercado de software, pois afinal é um dos motivos desse blog existir.



Vamos a alguns dados interessantes:

- Segundo o Departamento de Assuntos Sócio-Econômicos, Desa, das Nações Unidas o Brasil só crescerá em 2009 em média 0,5% (Este índice é relacionado ao PIB) .

- O Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que cresceremos 3%.

- O Desemprego está na casa de 7,5%, segundo dados de novembro em pesquisa realizada pelo IBGE, para destacar é menor índice do ano.

- Foram criadas apenas 61.400 mil novas vagas com carteira assinada em outubro, enquanto em setembro foram 282.841 mil .

- A inflação quase que dobrou em outubro, em relação a média dos dois meses anteriores, o indíce foi 0,45%.

- Para concluir as estatísiticas, fica o nosso superávit primário, que atingiu a casa de R$ 14,472 bi.



O que podemos avaliar sobre o impacto no Brasil, muito pouco. Afinal os índices são contraditórios, por isso mesmo devemos avaliar o terreno. Não devemos entrar em pânico, pois isso não ajudaria a economia nacional, mas devemos ter cuidado redobrado com as nossas economias e estarmos preparados para um ano mais complicado.



Se para o mercado em geral, a crise vai ser complicada, para o mercado de TI e softwares o campo ainda é mais arenoso. No campo otimista, mesmo a crise intensificando as empresas manterão seus projetos ou buscarão na TI e softwares formas de diminuir custos. No campo pessimista haverá cancelamento de projetos e as políticas de pleno emprego nos EUA e Europa, podem fechar um mercado que hoje é ocupado pelos indianos, que virariam seus planos de ação para os países emergentes como o Brasil.



Fim do mundo? Recessão? Ou sou uma ventania, que logo passará?

Depende como você estará preparado. A receita é a mesma de sempre:

1- Estude muito bem a sua empresa, pois mesmo que ela piore finaceiramente, apenas alguns serão demitidos.

2 - Trabalhe muito, é melhor forma de ser reconhecido.

3 - Guarde um pouco de dinheiro, o pior é uma das possibilidades.

4 - Fique atento as oportunidades, elas surgirão, mesmo que sejam em uma área distinta a sua.

5 - Não fique paranóico, não ajuda em nada.