30 maio, 2009

Pingos

Tá escorrendo pelo vidro...gota a gota.
Um pingo aqui, outro acolá.
Começou como quem não quer nada, logo após só se conseguia escutar o seu som.
Permaneci alí, parada, olhando.
-Tá chovendo forte né? - uma voz se fez. Acenei positivamente com a cabeça e voltei para o meu ritual.
Se fez branda, tornou-se forte...oscilando de intensidade.
Não consegui pensar direito em algo, eu estava fascinada pela água que atirava-se ao chão.
Eu apenas a admirava.
O céu estava sem estrelas, já não havia mais o sol...somente a chuva.
Um pingo após outro...um estralho aqui, outra gota deslizando naquele vidro transparente.
Por alguns instante me vi em um estado de paz, uma tranquilidade estarrecedora.
Não me veio nada na cabeça nenhum problema específico, ou qualquer que fosse a preocupação.
Aquele momento era meu e dela...ela cantando através da água e eu a retribindo com meu respeitoso silêncio.
Contemplando...direcionando os meus olhos aos pingos que se via.
Apenas assim, olhando através da vidraça aquele espetáculo solitário...venerando a beleza simples das gotas caindo do céu!

(Hosana Lemos)

27 maio, 2009

VER

O nosso amor? fenece.
Como morrem as margaridas.
Isso acontece...
Tudo bem, é a vida.

20 maio, 2009

Nenhuma jura

A culpa é minha.
A culpa é da minha mania de ter esperanças...de achar que ainda há uma forma, uma saída pra tudo isso.
Tento não imaginar...é quase impossível. Tento resistir, não dá.
Eu devia ter me controlado, ter contido o desejo e a vontade...foi mais forte que eu, sempre é.
E a cada vez que volto a te beijar é como se uma chama voltasse a ser acesa...
De repente vem aquele balde de água bem fria...você passa por mim e finge que nada houve, comporta-se com a maior naturalidade que se possa ter, me trata como mais uma de tua coleção.
Culpa minha não resistir a tua boca, culpa minha não saber controlar-me...culpa minha ir ao teu encontro tão facilmente.
O que mais me pertuba é o fato de você ter razão...eu não posso exigir nada te ti, nada!
E eu sinto raiva de mim mesma...raiva desses momentos de fraqueza, de atender às emoções tão cegamente.
Você não me fez promessas...não fez nenhuma jura. Nós não selamos nenhum pacto.
E eu sei que não tenho o direito de te recriminar pelo fato de passares por mim e cumprimentar-me como fazes com as demais pessoas, frio e seco...
Não assinamos nenhum contrato.
Você continua aí, fingindo normalidades...impondo a si mesmo uma neutralidade impenetrável.
E eu continua aqui, tentando copiar tua postura...culpando-me por minhas exageradas emoções, desejando que em algum momento a razão prevaleça...
A culpa? a culpa é minha...A fraqueza? a fraqueza também!

(Hosana Lemos)

MÉDICO, O MONSTRO

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13 maio, 2009

PÚSTULA

( Foto "A Cerca" de nosso bloguer Danilo Maia)

Eu lembro de todas as risadas


Vertidas nas entranhas desta cama.


E até sinto o gosto do teu rosto:


Riso-choro de quem ama.



Lembro dos meus afagos


Em tuas costas nuas:


Nosso escambo profano,


Em úmidas carnes cruas.



Lembro de cada filme venerado,


Cada emoção digna de nossa idade.


Quanto dinheiro gasto,


Nos escuros templos desta cidade?



Escutem – demônios, meu clamor!


Venham idéias racionais!


Como supero a dor,


De vê-la sorrir em outros carnavais?



Estas memórias são navalhas.


E minha mente um esmeril.


Gasto o tempo, como um canalha,


Abortando minha alma pueril.

12 maio, 2009

360º


[...céus, que vontade de gritar...ah! o texto? Só mais um desabafo.]

...

Por que será que por um final em algo é tão difícil, complicado? Chega a ser doloroso, e como dói.
Não falo somente de amores, paixões...refiro-me ao contexto amplo da vida; da dificuldade que se tem em aceitar que um ciclo se fechou!
Um namoro, um filho que está crescendo, um fim de férias, uma vida.
No fundo é como se tratássemos como eterno tudo que nos cerca, projetamos eternidades em coisas, em fatos, em pessoas. Fechamos os olhos e nos privamos da idéia que aquilo um dia vai de alguma forma chegar ao seu ponto final.
E mesmo sabendo que nada dura para sempre, muitos choram, gritam, entram em desespero ao se depararem com o derradeiro suspiro de alguma tal coisa.
Não digo que isso seja anormal, pelo contrário, é da natureza humana! Mas porque dói tanto? Será pelo desejo do eterno, do infinito....ou pelo simples fato de que o passado foi de uma intensidade sentimental única?! Os dois fatores? Mais fatores?
Muitas vezes esqueçemos que alguns ciclos precisam ser fechados para que outros tomem vida, ganhem forma. O difícil é colocar isso na cabeça, especialmente na minha.
Eu sei muito bem que nada é para sempre, que a vida acaba e que sempre existirão novas etapas a se realizavem em minha jornada (talvez até melhores que as atuais). Então porque não aceito caladinha?Porque não fico simplesmente feliz por ter vivido um passado tão legal? E por que chorar quando um ciclo completa sua volta de 360º ?
Será medo da mudança? Medo do novo?
Mudar às vezes é doloroso, na maioria das vezes necessário...O difícil é assimilar, aceitar e compreender isso, mas eu consigo...Eu sei que consigo (assim espero)!

(Hosana Lemos)

08 maio, 2009


créditos: [http://quesejadoce1.blogspot.com/]

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06 maio, 2009

SONETO EM DOR MAIOR

(foto "O Cadeado" de nosso Bloguer Danilo Maia)

A dor do amor perdido,
Em instantes sempre recriados,
Alimentam o rancor urdido
Nos segundos nunca apagados

Morremos em cada recorrência
Cada si, cada talvez...
Perdendo nossa consciência
Em esforço de vil embriaguês.

Deixe sua mente livre!
Grito-me em desatino.
Embora, tolo como um tigre,
Caçe, em vão, meu destino.

05 maio, 2009

Amizade

O QUE É AMIZADE?

Um dia alguém me perguntou:
O que é amizade?
Por horas a fio, pensei
E pensei que pensaria pouco tempo
Mas quanto tempo passei
Perdida em meus pensamentos!
E ingênua, imaginei que tal proeza realizaria...
A amizade!
Enfim, alguém definiria.
Contudo, foram apenas ilusões.
De uma mente que achava que algo compreendia...
Pois, quanto mais pensava
Mais os pensamentos pareciam emoções!
E emoções não se definem...
Não se materializam...
E se uma pessoa apenas sentisse emoções,
Todo o resto não acreditaria que pudessem existir...
E assim os meus pensamentos voavam...
E antes que minha razão também voasse,

Respondi:
"Amizade é algo tão abstrato e impossível de esquecer,
que palavras humanas por finitas serem,
nunca poderão seu significado descrever!"

03 maio, 2009

Aos Meus Heróis

                       Julinho Marassi E Gutemberg

Faz muito tempo que eu não escrevo nada,
Acho que foi porque a TV ficou ligada
Me esqueci que devo achar uma saída
E usar palavras pra mudar a sua vida.

Quero fazer uma canção mais delicada,
Sem criticar, sem agredir, sem dar pancada,
Mas não consigo concordar com esse sistema
E quero abrir sua cabeça pro meu tema.

Que fique claro, a juventude não tem culpa.
É o eletronic fundindo a sua cuca.
Eu também gosto de dançar o pancadão,
Mas é saudável te dar outra opção.

Os meus heróis estão calados nessa hora,
Pois já fizeram e escreveram a sua história.
Devagarinho vou achando meu espaço
E não me esqueço das riquezas do passado.

Eu quero "a benção" de Vinícius de Morais,
O Belchior cantando "como nossos pais",
E se eu quiser falar com Gil sobre o Flamengo,
"O que será" que o nosso Chico tá escrevendo.

Aquelas "rosas" já "não falam" de Cartola
E do Cazuza "te pegando na escola".
To com saudades de Jobim com seu piano,
Do Fábio Jr. Com seus "20 e poucos anos".

Se o Renato teve seu "tempo perdido",
O Rei Roberto "outra vez" o mais querido.
A "agonia" do Oswaldo Montenegro
Ao ver que a porta já não tem mais nem segredos.


Ter tido a "sorte" de escutar o Taiguara
E "Madalena" de Ivan Lins, beleza rara.
Ver a "morena tropicana" do Alceu,
Marisa Monte me dizendo "beija eu"
Beija eu, beija eu
deixa que eu seja eu (2x)


O Zé Rodrix em sua "casa no campo"
Levou Geraldo pra cantar num "dia branco".
No "chão de giz" do Zé Ramalho eu escrevi
Eu vi Lulu, Benjor, Tim Maia e Rita Lee.

Pedir ao Beto um novo "sol de primavera",
Ver o Toquinho retocando a "aquarela",
Ouvir o Milton "lá no clube da esquina"
Cantando ao lado da rainha Elis Regina.

Quero "sem lenço e documento" o Caetano
O Djavan mostrando a cor do "oceano".
Vou "caminhando e cantando" com o Vandré
E a outra vida, Gonzaguinha, "o que é?"

Atenção DJ faça a sua parte,
Não copie os outros, seja mais "smart".
Na rádio ou na pista mude a seqüência,
Mexa com as pessoas e com a consciência.

Se você não toca letra inteligente
Fica dominada, limitada a mente.
Faça refletir DJ, não se esqueça,
Mexa o popozão, mas também a cabeça.

Veja o Vídeo