06 janeiro, 2013
METAMORFOSE
30 outubro, 2012
CONFLITO
http://www.youtube.com/watch?v=YGRO05WcNDk
01 outubro, 2012
VINTE ANOS DEPOIS...
Quatro amigos - inseparáveis, à época - estavam, durante todo o encontro, inseparáveis, conversando sobre tudo!
- Bem, depois da formatura… Trabalhei numa exportadora, casei, separei, casei, fui promovido, separei, fui demitido, fui contratado numa multi, casei e fui promovido.
Todos soltaram um "humm…" como se tivesse sido ensaiado.
- Eu… Entrei pra uma multi, viajei, viajei, viajei, casei, viajei, viajei e voltei pra presidir a multi aqui.
- Hmm… Abri minha empresa, casei, separei, casei, separei, casei, separei, casei, separei, casei com a terceira de novo e separei… Quase falido só de pagar pensão.
Todos riram.
- Depois da formatura… Continuei morando com meu pais. Moro até hoje. Sou sustentado por eles.
Silêncio.
- Vida louca, hein?! - um deles comenta.
- Ô! Agitada… - reponde ele.
04 julho, 2012
UM NOME PRA CHAMAR DE MEU
21 junho, 2012
NÃO SERIA MAIS FÁCIL?
16 junho, 2012
SONHAR, SONHAR...
30 maio, 2012
AMOR DEMAIS
09 maio, 2012
AH, O AMOR!
Estendeu a mão para ela e disse:
- Vem comigo, vai dar tudo certo!
Ela foi.
Não durou três meses.
18 abril, 2012
DESABAFO DE UM TÍMIDO*
Sempre fui um tímido. Nunca consegui evitar isso.
Mas naquele dia... Não sei bem o que me aconteceu! Senti-me corajoso. E quase sem conseguir ordenar as palavras disse à Dorinha – o grande amor da minha vida desde os meus seis anos – o quanto gostava dela. Que a amava! Na verdade, desde sempre!
Ela ficou mascarada. Encheu-se de si à medida qu’eu mais e mais a exaltava.
Com o tempo, aproximei-me cada vez mais e fazia visitas regulares à sua casa... O golpe é que, como sempre fui uma boa pessoa, o pai dela e todos na casa, gostavam muito de mim. Até consegui permissão para levá-la ao cinema! E foi aí que começou a minha desgraça... Ao sairmos do cinema, topamos com um casal. Depois disso, quase que como efeito de prestidigitação, Dorinha foi ficando murcha e, por fim, quando chegamos a sua casa, confessou que amava o sujeito lá. Casado! Vê! Falou que, sendo ou não casado, era dele que gostava e que não queria me namorar. Então, disse-me “adeus”! E apesar da dor, compreendi e fui atrás de viver minha vida.
Dela, soube dia desses que Seu Osmany [um vizinho] a viu de braços dados e assim, assim com o Fulano.
Enfim. Minha vida seguia normalmente até que, há pouco, o pai da Dorinha chegou e, aos gritos de “engravidaste minha filha, patife”, deu-me um tiro na cabeça. Morri.
*Texto inspirado em texto – sem título – de Nelson Rodrigues do Livro “Pouco Amor, Não É Amor”.
09 março, 2012
EU TE A... #gasp-gasp#
- Prometi a mim mesmo que não digo mais “eu te amo!” pra mulher nenhuma.
- Mas... e se aparecer a mulher da sua vida?
- Ela vai ter que conviver com isso. Ou melhor, sem isso.
- E se aparecer aquela vontade incontrolável de falar isso pra ela?
- Seguro na boca, engasgo, e engulo.
- Não acha que isso é um pouco cruel?
- Ela se acostuma.
- ‘Tou falando qu’é cruel com você mesmo.
- Nada. Eu me acostumo.
03 março, 2012
VIDA DE CINEMA
CENA UM:
Bar lotado. Ele se aproxima d’Ela e oferece-lhe uma bebida. Ela aceita. Os dois bebem e riem bastante.
CENA DOIS:
Ele está sobre ela. O lençol cobre seus corpos. Transam devagar. Ao fundo, vemos através da janela a chuva cair.
CENA TRÊS:
Ele e Ela, diante do padre, dizem “Sim, eu aceito!”.
CENA QUATRO:
Ele e Ela, diante do juiz, dizem “Sim, eu quero me separar!”.
20 fevereiro, 2012
O QUE DIZER?
Junto com o gozo, veio – meio desgovernado – um “Eu te amo!”. Até ele se surpreendeu por falar isso!
Silêncio.
Depois, ela começou a mover os lábios. Ainda não sabia ao certo o que ia responder.
Um barulho na fechadura. Passos. Os pais dela chegando.
Rápido tiveram que se vestir e fazer parecer que nada faziam.
Ela nunca se sentiu tão feliz por seus pais aparecerem!
07 fevereiro, 2012
O ENDEREÇO DOS SONHOS
Finalmente o avião aterrissa! Foi uma viagem longa e cansativa.
No aeroporto pego um táxi.
Encosto a cabeça no apoio do banco, digo o endereço ao taxista e perco-me em meus pensamentos... Penso nela, em nossos dias felizes – e nos tristes também –, em todas as promessas que fizemos um ao outro. Em tudo o que a gente poderia ter sido, mas não deu. Ela não quis ou eu não quis.
Olho pela janela do carro e aquilo tudo me parece tão longe da realidade. Da minha realidade.
Vejo pedestres, vendedores ambulantes, bichos, todos disputando um pedaço da calçada. Uma eterna briga por seu território.
Pergunto-me se eles são felizes...
E eu, sou feliz?
Sou tirado dos meus pensamentos quando o carro para. Então, percebo que estou em frente a casa dela. Dei o endereço errado ao taxista. Ele está olhando pra mim, diz quanto custou a corrida e estende a mão para receber o dinheiro.
Digo que me enganei. Que aquele não é meu endereço – nunca foi meu endereço! Talvez, em meus sonhos – e desta vez falo o correto.
Ele dá partida e o carro sai. Penso em olhar para trás, mas me contenho. Porém, antes do carro entrar na rua seguinte, olho para trás.
Nunca deixei de olhar para trás.
12 dezembro, 2011
TIPO DE CARA
Sou eu.
Sabe aquele tipo de cara que, quando ela tem uma novidade, conta pra ele, pois torce MUITO por ela?
Sou eu.
Sabe aquele tipo de cara que, quando ela ‘tá mal, ele tem as palavras exatas que vão consolá-la?
Sou eu.
Sabe aquele tipo de cara que ela adora ter por perto, pois a faz rir bastante?
Sou eu.
Sabe aquele tipo de cara que ela JAMAIS vai ficar porque ele é “legal demais”[!]?
Pois é... Sou eu. ¬¬’
20 novembro, 2011
SIMPÁTICO
Sentado, ele olhava a paisagem pela janela do ônibus. Usava fones nos ouvidos.
Uma mulher que estava sentada ao seu lado, o cutucou e disse:
- Eu não ‘tou conseguindo ouvir.
Ele olhou para ela, fez um gesto para indicar que não tinha entendido.
Ela o cutuca novamente e repete:
- Eu não ‘tou conseguindo ouvir.
Tirou os fones dos ouvidos.
- O que a senhora disse?
- Que não ‘tou conseguindo ouvir.
- O quê?
- O que ‘cê ‘tá ouvindo.
- Isso deve ser porque os fones estão nos meus ouvidos, não? – ironizou.
- Sim, claro. Mas mesmo assim, sempre dá pra ouvir um pouquinho. Eu gosto de saber o que as pessoas ouvem.
- Ah. – disse sem mostrar nenhum interesse. - Acontece que a senhora não ‘tá conseguindo ouvir porque eu não ‘tou ouvindo nada. Na verdade, eu detesto música! ‘Tou apenas com os fones.
- E por que faz isso? – perguntou curiosa.
- Para evitar que as pessoas puxem conversa comigo. Odeio falar com desconhecidos. Não tenho paciência e nem gosto de parecer simpático.
Ela deu um sorriso forçado. Olhou à sua volta, viu um lugar vazio e foi sentar lá.
Ele colocou novamente os fones nos ouvidos e continuou a observar a paisagem pela janela. Em silêncio.
06 novembro, 2011
OS OLHOS MAIS TRISTES DO MUNDO
- Você é feliz? – perguntou assim, à queima roupa.
A pessoa que levou o tiro-pergunta, que por sinal, não o conhecia – só estava sentada ao seu lado por mera casualidade da vida –, olhou para ele, para ter certeza s’ele falava com ela ou se falava sozinho.
Aproveitando qu’ela olhava pra ele, repetiu a pergunta:
- Você... É feliz?
Ficaram por um tempo se olhando. Um tempo dilatado. Que se estendia além do habitual.
A pessoa percebeu qu’ele tinha os olhos mais tristes do mundo. Depois se perguntou como sabe isso já que não conhece todas as pessoas do mundo. Mas numa súbita convicção, disse a si mesma que, se conhecesse todas as pessoas do mundo, com certeza, ele teria os olhos mais tristes de todas.
- Não sei. – respondeu cheia de hesitações.
- Eu não sou. – disse. - Você é feliz? – perguntou mais uma vez, ignorando a resposta anterior.
- Já disse, não sei. Acho que não é uma coisa constante. Tem dia que ‘cê ‘tá, e dia que não. Não dá pra ser o tempo todo. Eu acho.
- Eu não sou. – repetiu.
- E o que é que te faz infeliz? – perguntou e se surpreendeu consigo, pois detestava conversar com estranhos.
- Eu não sou infeliz.
- Mas você disse que...
- Disse que não era feliz.
- E...?
- Não sou infeliz. Apenas me falta felicidade. Vejo casais de mãos dadas; crianças correndo atrás de borboletas ou de outro bicho qualquer; homens de negócios dentro de seus carros importados indo, às pressas, para alguma reunião; cachorros roendo ossos; religiosos indo para seus templos... Todos, ao seu jeito, dentro do que anseiam, sentindo-se felizes.
Ficou em silêncio por um tempo, depois continuou:
- Eu, não.
Os olhos mais tristes do mundo brilharam, mas não pareciam que iriam chorar. A pessoa teve medo que isso acontecesse, pois não saberia como deveria reagir.
Pensou que, se falasse uma frase de efeito, talvez, pudesse ajuda-lo. A frase não veio.
Continuaram em silêncio.
16 dezembro, 2010
LEMBRANÇAS DE UMA NOITE INFINITA
Com uma mão faziam carinho um no outro. Com a outra mão espantavam os mosquitos.
- Aqui 'tá cheio de muriçoca.
- Nome bonito...
- O quê?
- Muriçoca. É um nome bonito.
- Hum.
- Mu-ri-ço-ca. Lembra: pa-ço-ca.
Ele virou-se para ela e olhou firme em seus olhos. Olhos que refletiam a luz da lua. Refletiam também uma doçura, inocência e ingenuidade que faziam parecer pueril aquele comentário bobo.
Os dois riram.
Sentiu que estava sendo invadido por um amor tão profundo e intenso que atravessaria os tempos. Então, apertou com força a mão dela.
26 janeiro, 2009
A LATA
- Marcos, veja que peça fantástica!! – disse um deles.
- Nossa, é realmente fantástica, Albert! – concordou o amigo.
- Claro que não é de vanguarda, mas ela exala revolução! Pode não ser inovadora, mas arrisco dizer que é transformadora.
- Estou fascinado! O artista se expressa claramente através da contracultura. Essa obra é densa, mas ao mesmo tempo é clara!
- Com certeza é prole do Dadaísmo. Há uma forte influência de Marcel Duchamp. Até podemos dizer que esta peça é uma parente distante da “Fonte”.
- Claro, claro! Mas, além de Marcel, me lembra também “Luxo” de Augusto de Campos. Você recorda?
- Sim, sim! É provável que “Luxo” tenha influenciado esta obra. Mas não podemos negar que está “impregnada” de Duchamp.
- Está impregnada de sujeira e mau cheiro. – diz um senhor que observava a conversa dos dois.
- O que você quer dizer com isso?! – pergunta Albert, surpreso.
- É! O que você quer dizer com isso?! – Marcos repete a pergunta.
- Que isso está sujo e fede, ora!
- Você é crítico de qual revista??!!
- Eu? De nenhuma, senhor.
- E quem você pensa que é para criticar essa obra de arte? – pergunta Albert de forma teatral.
- Eu sou o zelador do museu, e tenho que recolher o lixo dessa lata aí que os senhores estão admirando, e colocar a lata de volta no banheiro masculino. Se os senhores me derem licença... Isso. Obrigado!