Nós estávamos ao telefone, conversando sobre coisas, sobre nada...sobre a gente.
"É melhor pra você me esquecer, Hosana", ele falou assim. Falou baixinho, não tinha tom de raiva, tava com uma voz serena, um toque de preocupação.
Esquecer? Como assim esquecer?
Tem algum botão em minha testa com "Sentimentos: on e off"?
Como assim esquecer? "Plim", não gosto mais de você!"
Você disse que sabia que não ia ser fácil para mim, lógico que não vai ser!
Não me venha com frases de auto-ajuda! Por favor, não agora...
"É melhor para você", eu sei o que é melhor para mim, e nesse instante eu garato que não está relacionado a ficar longe de ti.
Eu entendo o motivo por que não estás comigo, eu teria feito a mesma coisa...garanto.
Mas por favor não vem me falar que eu vou ficar bem, que eu vou te equecer, que foi lindo mas acabou.
É tudo clichê, frases reais mas clichês. E no momento eu não preciso disso.
Você diz que eu vou encontrar alguém melhor, alguém que me complete...só que você esquece que eu já encontrei, eu não quero outra pessoa, eu não quero outra boca, o que eu desejo e o que eu sonho está em você. Pronto, acabou.
Eu posso até saber que vou conseguir te arrancar daqui de dentro, saber que tudo isso vai passar, que eu vou encontrar a calmaria...mas nesse instante, nesse exato segundo, eu...
Não me pede pra eu sumir de tua vida, pra eu tentar não ligar, eu não sou um robô.
Te evitar? Onde você tá com a cabeça pra me pedir isso? Eu não quero.
Eu quero te encontrar, falar, conversar, te abraçar, chorar.
Eu te quero em minha vida,eu quero você aqui, do meu lado...
"É melhor pra você", por mais que eu saiba que talvez isso seja uma verdade, eu não quero isso agora. Eu quero você, você! Só e somente só.
Não, não faz isso comigo, não me pede pra eu me conformar. Eu não me conformo, de maneira alguma. Conformismo nunca foi o meu forte, você sabe disso...não me pede pra achar tudo isso normal...pra mim nunca será normal, não mesmo.
Disse que sua decisão já foi tomada, que não tem volta...Eu entendo, mas não concordo.
Esquecer? Um dia, talvez...
No momento, me deixa aqui...com minhas esperanças, com minhas dores, com minha angústia, sem querer te esquecer, sem querer te deixar de lado.
Me solta aqui, agarrada as tuas lembranças, segurando com todas as forças as memórias que te contém...
Não, eu não quero te esquecer, não agora, não hoje...hoje eu quero lembrar, recordar, sonhar...
Hoje eu quero você, somente...e isso, isso me basta!
(Hosana Lemos)
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16 junho, 2009
Hoje, hoje não
30 maio, 2009
Pingos
Tá escorrendo pelo vidro...gota a gota.Um pingo aqui, outro acolá.
Começou como quem não quer nada, logo após só se conseguia escutar o seu som.
Permaneci alí, parada, olhando.
-Tá chovendo forte né? - uma voz se fez. Acenei positivamente com a cabeça e voltei para o meu ritual.
Se fez branda, tornou-se forte...oscilando de intensidade.
Não consegui pensar direito em algo, eu estava fascinada pela água que atirava-se ao chão.
Eu apenas a admirava.
O céu estava sem estrelas, já não havia mais o sol...somente a chuva.
Um pingo após outro...um estralho aqui, outra gota deslizando naquele vidro transparente.
Por alguns instante me vi em um estado de paz, uma tranquilidade estarrecedora.
Não me veio nada na cabeça nenhum problema específico, ou qualquer que fosse a preocupação.
Aquele momento era meu e dela...ela cantando através da água e eu a retribindo com meu respeitoso silêncio.
Contemplando...direcionando os meus olhos aos pingos que se via.
Apenas assim, olhando através da vidraça aquele espetáculo solitário...venerando a beleza simples das gotas caindo do céu!
(Hosana Lemos)
20 maio, 2009
Nenhuma jura
A culpa é minha.A culpa é da minha mania de ter esperanças...de achar que ainda há uma forma, uma saída pra tudo isso.
Tento não imaginar...é quase impossível. Tento resistir, não dá.
Eu devia ter me controlado, ter contido o desejo e a vontade...foi mais forte que eu, sempre é.
E a cada vez que volto a te beijar é como se uma chama voltasse a ser acesa...
De repente vem aquele balde de água bem fria...você passa por mim e finge que nada houve, comporta-se com a maior naturalidade que se possa ter, me trata como mais uma de tua coleção.
Culpa minha não resistir a tua boca, culpa minha não saber controlar-me...culpa minha ir ao teu encontro tão facilmente.
O que mais me pertuba é o fato de você ter razão...eu não posso exigir nada te ti, nada!
E eu sinto raiva de mim mesma...raiva desses momentos de fraqueza, de atender às emoções tão cegamente.
Você não me fez promessas...não fez nenhuma jura. Nós não selamos nenhum pacto.
E eu sei que não tenho o direito de te recriminar pelo fato de passares por mim e cumprimentar-me como fazes com as demais pessoas, frio e seco...
Não assinamos nenhum contrato.
Você continua aí, fingindo normalidades...impondo a si mesmo uma neutralidade impenetrável.
E eu continua aqui, tentando copiar tua postura...culpando-me por minhas exageradas emoções, desejando que em algum momento a razão prevaleça...
A culpa? a culpa é minha...A fraqueza? a fraqueza também!
(Hosana Lemos)
12 maio, 2009
360º

[...céus, que vontade de gritar...ah! o texto? Só mais um desabafo.]
...
Por que será que por um final em algo é tão difícil, complicado? Chega a ser doloroso, e como dói.
Não falo somente de amores, paixões...refiro-me ao contexto amplo da vida; da dificuldade que se tem em aceitar que um ciclo se fechou!
Um namoro, um filho que está crescendo, um fim de férias, uma vida.
No fundo é como se tratássemos como eterno tudo que nos cerca, projetamos eternidades em coisas, em fatos, em pessoas. Fechamos os olhos e nos privamos da idéia que aquilo um dia vai de alguma forma chegar ao seu ponto final.
E mesmo sabendo que nada dura para sempre, muitos choram, gritam, entram em desespero ao se depararem com o derradeiro suspiro de alguma tal coisa.
Não digo que isso seja anormal, pelo contrário, é da natureza humana! Mas porque dói tanto? Será pelo desejo do eterno, do infinito....ou pelo simples fato de que o passado foi de uma intensidade sentimental única?! Os dois fatores? Mais fatores?
Muitas vezes esqueçemos que alguns ciclos precisam ser fechados para que outros tomem vida, ganhem forma. O difícil é colocar isso na cabeça, especialmente na minha.
Eu sei muito bem que nada é para sempre, que a vida acaba e que sempre existirão novas etapas a se realizavem em minha jornada (talvez até melhores que as atuais). Então porque não aceito caladinha?Porque não fico simplesmente feliz por ter vivido um passado tão legal? E por que chorar quando um ciclo completa sua volta de 360º ?
Será medo da mudança? Medo do novo?
Mudar às vezes é doloroso, na maioria das vezes necessário...O difícil é assimilar, aceitar e compreender isso, mas eu consigo...Eu sei que consigo (assim espero)!
(Hosana Lemos)
29 abril, 2009
Tão leve...

Posso ser sincera mais uma vez? Estou tão bem...tranquila para ser mais exata!
Carrego a sensação de trabalho bem feito...missão cumprida.
Eu fiz de tudo. E você nunca, simplesmente nunca, terá o direito de clamar palavras que digam o contrário.
Fui até a beira do precipício; me joguei dele.
Me lancei à loucura, abri mão da minha racionalidade.
Fiz o que estava e o que não estava a meu alcance.
Fui criança, adolescente e adulta... transformei-me em mil faces, em cada uma delas o desejo de te agradar.
Esqueci um pouco de mim, admito...te ver feliz era mais importante! Alcançar o teu sorriso era o meu objetivo, meu foco.
Entendi o significado da frase : "ficar cega por alguém"
Mas cá estou eu. De coração lavado, mente livre e consciência limpa...
Eu me entreguei sem medo, te segui em meio a tudo... Lancei-me aos lobos, fui de encontro às lanças afiadas. Eu não hesitei, em nenhum minuto, em nenhum segundo.
E você? O que fizeste mesmo, ou melhor...o que não fizeste? Não me lembro exatamente... Não importa... O que importa é que estou aqui hoje carregando nos lábios esse sorriso largo.
Estou tranquila, talvez satisfeita...Trago a certeza de que fiz a minha parte!
E em cada erro que cometi, eu busquei a redenção. Não me acovardei, em nenhum instante.
Me doei, me cedi, me apaixonei...
E são por esses motivos que hoje eu tenho o prazer de susurrar aos quatro ventos: -Como é doce o gosto da tranquilidade!
(Hosana Lemos)
25 abril, 2009
Deixe que digam...

Ache o que achar, pense o que for. Eu sou assim.
Grito, resmungo, choro, reclamo, implico.
Me aceite como sou, ou recolha-se a sua insignificância. Viva a me julgar pelo meu cabelo bagunçado, ou por minha blusa rasgada!
Insista em definir padrões analisando apenas o fato de eu falar o que penso, e me comportar um pouco diferente das bonequinhas de porcelana que você encontra por aí.
Eu sou o que sou. Chata, às vezes...Orgulhosa, um pouco...Sincera,sempre!
Mas não pense que sou imutável...eu mudo sim, me adapto a situação, as circunstâncias.
Sou uma eterna mutante.
E não se iluda...pois eu mudo por mim, eu faço por mim!
Continue a gritar aos quatro ventos que eu sou anormal, maluca, diferentemente oposta aos padrões.
Me recrimine, me julgue. Tenha nojo de mim, me ache repulsiva.
Sua opnião e nada tem o mesmo peso na minha vida!
E eu sei...no fundo você queria mesmo era ser igual a mim. No fundo da pra notar...A sua vontade é de fazer o que eu faço, ter um pouco da despreocupação que eu levo na mente.
Fugir um pouco dos costumes, ignonar pequenas atitudes fúteis que te cercam, ser indiferente aqueles que não compreendem o fato de você ser apenas você mesma!
Não espero que me entenda, nem aceite os meus motivos...Continue envolto nessa bolha que te impede de enxergar além das aparências.
Ah, já ia esquecendo...Espero que sua mente limitada assimile apenas um fato :
-Eu sou feliz assim! Com todos os meus defeitos idiotas e com todas as minhas opniões estranhas.
Eu apenas vivo como eu acredito, somente!
(Hosana Lemos)
19 abril, 2009
Projeções
Em milhares de rostos que perambulam ao meu redor, eu só consigo ver o teu...Como se teu rosto teimasse em me perseguir nas ruas, projetando-se em pessoas comuns...
Você está lá; sentando em uma praça; tomando um café na esquina; lendo as notícias do jornal.
E eu ainda te vejo em tudo.
Vou desejando que em toda aquela multidão eu esbarre com o teu sorriso, suplicando que em alguns daqueles rostos em que projeto tua imagem, seja você realmente, ao vivo e em cores.
E de alguma maneira eu sinto tua presença perto de mim...seja naquele cara atravessando a avenida, seja em alguém admirando o céu.
Você ainda está lá! Ainda está em tudo que eu vivo...
Perfumes, filmes, músicas...em cada pedacinho de coisa, um pedacinho de você.
E eu vou continuando, idealizando teus olhos azuis em todas as faces que passam por mim, desejando que em algum momento qualquer o meu rosto possa de fato encontrar o teu.
(Hosana Lemos)
14 abril, 2009
E se...

O que machuca são todas as possibilidades que não tiveram a oportunidades de criarem vida. O que doeu mais não foi a dor da despedida, nem as lágrimas do final...foi aquela agústia de ver todos os seus planos aos poucos te deixando, dando um adeus tristonho.
Um universo de estradas, caminhos, opções... toda uma história encerrada.
E o planos? Pra onde eles foram? Guardados ficaram, como as velhas cartas e as fotos desbotadas...
E os olhos que brilhavam de entusiasmo ao projetar situações? Perderam o brilho, ficaram opacos, aos poucos perderam a esperança por não mais vistarem aquilo que mais os alegravam...
A saudade daquilo que nem ao menos cheguei a viver, isso sim me machuca, me corroe por dentro.
Sonhos sem desfechos, desejos sem realizações...
Todos à espera de uma ponta de esperança, de algo que faça com que voltem a fluir soltos... como assim é para ser com qualquer sonho, com qualquer desejo íntimo...
(Hosana Lemos)
10 abril, 2009
Fragmentos.

Acabou. Quebrou-se como porcelana jogada ao chão. Quem diria que aquele encanto mágico ia chegar ao seu último suspiro. Até parecia que eles tinham sido feitos um para o outro.
Morreu, de forma súbita...um pequeno erro no cálculo e tudo veio por água abaixo.
Dispersou-se, como uma pequena quantidade de areia jogada ao nada. Acabou.
Ela dara para ele seu bem mais precioso e ao mesmo tempo o mais frágil, ela dera o seu coração de cristal. Ele o tomou para si, prometendo então cuidar como se estivesse cuidando da própria vida.
Ela por um descuido, e palavras mal colocadas em um momento inoportuno, despertou a ira do amado... ele por vingança e com ódio nos olhos tomou o pobre coração de cristal nas mãos, olhou-o uma última vez e friamente deixou-o cair.
Mil pedaços, assim ele ficou. Mil cacos, assim ele o deixara. Sem dor e nem piedade saiu de cena, e como se não bastasse pisou em cima de todos os fragmentos para ter a plena certeza de que fizera o trabalho completo.
Houve um silêncio...uma pausa...
Ela por sua vez ainda estava em choque, procurando de alguma forma se agarrar a uma ilusão que a mostrasse que aquilo não era real. Pobre coitada.
Ajoelhou-se, e fitou os olhos marejados naqueles cacos de cristais brilhantes...cacos do seu até então coração. Mil pedaços, seu coração resumia-se aquilo.
Segurou o choro, e lentamente levantou-se com dificuldade, carregava consigo toda uma dor de um amor mal resolvido.
Aos poucos ela foi juntando um por um dos pedaços, um a um foi colando... emendou um pouco aqui, ajeitou um pouco alí. Depois de muito sacrifício, paciência e principalmente persistência ela terminou de colar todos os cacos...
Quando finalmente sorriu ao ver o resultado de seu tão grande esforço, notou algo...seu coração já não era igual ao que era antes. Ela o aproximou para perto de seus olhos e notou falhas em cada juntura dos cacos, notara marcas...como uma espécie de cicatriz que não vai embora nunca.
Sim, ele tinha inúmeras cicatrizes, mas isso não impediu que o sorriso brotasse novamente dos lábios daquela moça.
Ela aos poucos voltava a ser feliz...aos poucos o brilho de seu coração ia ressurgindo...
E mesmo depois de tudo, ela ainda sonha em entregar seu pedaço de cristal para aquele amor que ela sonha que seja eterno.
(Hosana Lemos)
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