Mostrando postagens com marcador Livros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Livros. Mostrar todas as postagens

18 abril, 2012

DESABAFO DE UM TÍMIDO*

Sempre fui um tímido. Nunca consegui evitar isso.

Mas naquele dia... Não sei bem o que me aconteceu! Senti-me corajoso. E quase sem conseguir ordenar as palavras disse à Dorinha – o grande amor da minha vida desde os meus seis anos – o quanto gostava dela. Que a amava! Na verdade, desde sempre!

Ela ficou mascarada. Encheu-se de si à medida qu’eu mais e mais a exaltava.

Com o tempo, aproximei-me cada vez mais e fazia visitas regulares à sua casa... O golpe é que, como sempre fui uma boa pessoa, o pai dela e todos na casa, gostavam muito de mim. Até consegui permissão para levá-la ao cinema! E foi aí que começou a minha desgraça... Ao sairmos do cinema, topamos com um casal. Depois disso, quase que como efeito de prestidigitação, Dorinha foi ficando murcha e, por fim, quando chegamos a sua casa, confessou que amava o sujeito lá. Casado! Vê! Falou que, sendo ou não casado, era dele que gostava e que não queria me namorar. Então, disse-me “adeus”! E apesar da dor, compreendi e fui atrás de viver minha vida.

Dela, soube dia desses que Seu Osmany [um vizinho] a viu de braços dados e assim, assim com o Fulano.

Enfim. Minha vida seguia normalmente até que, há pouco, o pai da Dorinha chegou e, aos gritos de “engravidaste minha filha, patife”, deu-me um tiro na cabeça. Morri.

*Texto inspirado em texto – sem título – de Nelson Rodrigues do Livro “Pouco Amor, Não É Amor”.

03 dezembro, 2009

VERDADES INCONTESTÁVEIS

"... mulher sempre escolhe mal o marido... Mulher só escolhe bem o amante..."


"Viúva, Porém Honesta" - Nelson Rodrigues
.
.
.
.
Esse Nelson é f#d@!!

25 dezembro, 2008

A Revolução dos Bichos, George Orwell


Pré-Comentários
Há algum tempo não tenho o prazer de discutir história com os amigos, a minha mudança de carreira me levou a um mundo bem distante daquele que estava a alguns meses, porém a frieza da mundo corporativo e tecnológico, não é nocivo aos meus instintos históricos. Continuo um diletante da história, displicente e fiel.

Após uma noite de natal, buscamos esquecer um pouco a rotina e através do humor, amigos ou preguiça nos embebedamos de falsas sensações. Como sou humano, estava eu em minha morada com aquela leve ressaca, quando a TV me surpreende com A revolução dos bichos, o filme baseado na obra homônima de George Orwell, e devo ao SBT o motivo deste post (pode!?)

Comentários
O filme se passa em uma fazenda da Inglaterra, mas poderia ser qualquer fazenda do mundo, uma fábula moderna recheada de referências aos movimentos políticos, sociais e econômicos europeus do fim do século retrasado e ínicio do século passado, pitadas de socialismo utópico e científico, fascismo, imperialismo e liberalismo são distribuídas por todo o filme. Porém qual a real importância desta obra? Qual o fio condutor da originalidade?

Quem acha que é utilizar os bichos para denunciar ações humanas, deve lembrar que Esopo e La Fontaine ou mesmo Bocage e Monteiro Lobato, ja faziam isso em seus textos de forma brilhante. Já quem supõe que é a crítica ferrenha ao stalinismo de forma sútil, deve ler os livros de Issac Babel e Milan Kundera. Então o que sobra?

A metodologia. O livro conta de forma didática, todo um processo histórico, que levou anos para se concluir, de uma maneira que encaixa-se nos momentos corretos: as situações e os personagens específicos em cada página do livro.

O líder utópico (Porco Velho Major), o sucessor prático (Porco Napoleão), Conselheiro manipulador (Porco Garganta), o crítico inconsequente (Porco Bola-de-neve) , a massa alienada (Ovelhas), o trabalhador incansável (Cavalo Sansão), Negociadores (Ratos), os mandamentos originais, os mandamentos deturpados, o centro de poder antigo tornado-se novo centro de poder, as execuções e a esperança.

Juntando tudo isso a uma narrativa veloz, temos uma obra-prima.

Destaques:
O personagem:
Garganta, sujeito-porco responsável pelas manipulação dos fatos, artista do convencimento, está sempre pronto para dirimir qualquer dúvida sobre o comportamento de seu mestre Napoleão.

A passagem marcante:
A discussão entre Bola de Neve e Napoleão, sobre os rumos da revolução, fazendo uma referência clara a disputa entre Trostki e Stálin, sobre a Revolução para o mundo e Revolução em um país só. A cena acaba com a expulsão de bola de neve e a consolidação de napoleão como líder despótico da fazenda.

A frase do livro:
Os animais são todos iguais, mas uns são mais iguais que outros.

7º mandamento do animalismo


Informações Técnicas

O título do livro original: Animal Farm, 1945

Autor: George Orwell (1903-1950)

Adaptações para outras mídias: Dois filmes homônimos, um de 1954 e outro de 1999. Também existe um albúm do Pink Floid, chamado Animals que faz referências ao livro.


Downloads:

Obra completa:



Revolução dos Bichos - George Orwell