16 maio, 2013
A AVE
09 abril, 2013
O BICHO-DEUS
Vi ontem um bicho
Na imundície do templo
Catando fé entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não questionava se era sincero:
Apertava contra si com voracidade.
O bicho não era um pobre,
Não era um deficiente,
Não era um homem.
O bicho, meu caro, era Deus.
08 março, 2013
SOU MULHER!
Sou amor
Sou dor
Sou de verdade
27 novembro, 2012
POBRE POETA
E o que dizia era poesia
Sendo poesia,
01 outubro, 2012
Uma Aliança Frágil
mesmo não havendo a capitalização deste recursos.
Atualiza sua agenda e vê que esqueceu o aniversário
de duas amigas, risca a tarefa como se fosse concluída
e remarca para o próximo ano.
Após as tarefas matutinas realizadas,
Resolve ligar para o seu amigo, após piadas internas
- Cara, só recebi ligações do meu pai e sua.
Reflete consigo: "Cara, andas mal de amigo"
Outro telefone toca e ele acelera a conversa,
enfim está acordado.
28 setembro, 2012
SONETO DO AMOR CABAL
Me recebe com ar de candura
Seu sexo me deixa extasiado
Sem cerimônia, ela cobra seu valor
09 maio, 2012
AH, O AMOR!
Estendeu a mão para ela e disse:
- Vem comigo, vai dar tudo certo!
Ela foi.
Não durou três meses.
12 abril, 2012
TEMPO...
16 janeiro, 2012
Escudo e suas rachaduras
17:00. O dia não podia ter sido pior para ele. Várias reuniões. Muitas ligações. Fast Food e trânsito lento.
Olha para o painel do carro, calcula a rota no celular e percebe que o escritório já não é mais uma opção. Duas ligações são feitas e o expediente encerra naquele minuto.
Sentiu-se um pouco aliviado e talvez por isso percebeu que estava próximo da praia. Resolve estacionar, mas displicente, quase atropela um mendigo. Relutante, olha para todos os lados e resolve descer. Leva consigo, apenas o que importa: Carteira, celular e o tédio.
Avista ao longe um lugar, que está ligada por uma pequena estrada de tijolos... vermelhos e sujos.
Caminha lentamente, mantendo a cabeça se altiva mesmo seu ânimo estando em cacos, percebe que se aproxima do lugar que já foi um marco de esperança.
Aperta o passo e desvia uma parte do caminho pois ao seu encontro uma senhora iria lhe oferecer uma flor e Deus é prova quanto ele não suporta aquelas pessoas.
A estrada finda e ele se deixa levar pelo o ambiente. Ousa sentar no mesmo lugar e fecha os olhos. A sua mente viaja por doze longos anos.
17:37. A brisa fazia os cabelos dela tocarem o seu rosto. Ao fundo um violão emitia um som pop de um banda que o agradava. Os olhos dela miravam um horizonte rajado de vermelho e os últimos raios de sol realçavam a pele morena e no seu olho esquerdo ele via o sol desistindo de mais um dia. Fascinado, admirava aquela mulher, tal qual um artista admira a obra-prima de um colega e rendido ele pede um beijo, algumas palavras foram ditas e ela reluta de forma tímida, esperando uma decisão dele, que veio logo em seguida. Naquele momento, ele sentiu que o universo tinha apenas dois metros e que o oxigênio não era mais essencial. A vida tinha ganhado sentido pela primeira vez...
17:30. Ele abre os olhos. Percebe que a brisa quase estoura os seus ouvidos. Alguns adolescentes entoam um música pop que ele odeia. O céu vermelho parece sangrar e os últimos raios solares o fazem lembrar que o engarrafamento de logo mais, fará com que ele fique preso no trânsito por uma hora
Levanta-se e constata que a sua armadura, forjada com as frustrações, rotina e objetividade ainda tinha suas frestas. Dá as costas para o sol poente e por um instante tem o impulso de olhar para trás, mas ele sabe que verdadeiro sol na verdade já se escondeu há doze anos e depois, cada dia foi apenas uma imitação de mal gosto.
14 março, 2011
A MORTE DO AMOR
Inevitavelmente o momento do "adeus" chegou.
Ao afastar-se daquela que amava
A morte do Amor aos céus rogou
31 outubro, 2010
Status quo
Enraizado na mente
Todo mundo quer ter
Faz disso o meio de viver
Dinheiro e nenhuma razão
Só modelos fictícios
De um mundo sem noção
Saia desse vício do Igual
Do querer ter
E apenas seja
Caia na real
Você está perdendo seu tempo
Cismando com algo tão elemental
Deixe disso e Agregue-se
A esse Movimento
Trace seu caminho
Liberte-se do Status quo
21 setembro, 2010
Deusa Verde
Tudo parecia normal rotineiro, eis que no canto qualquer, surge uma deusa: altura exata, pernas torneadas, seios do diâmetro da minha mão, pele branca igual ao meu espanto, cabelos negros como a minha alma.
Ela dançava freneticamente, como se a vida fosse o único palco e a dança um conexão com Deus, que orgulhoso assistia sua criação.
A Deusa parece dominar aquele espaço, pouco mais de um metro e meio de uma circunferência perfeita, talhada por algum artista cósmico, quem em seus sulcos, jogou sal, pois impedia que vampiros sedentos, sequer sentissem o seu cheiro.
Os seres que a cercavam começaram a desaparecer um a um, como uma medusa ao avesso todos viraram estátuas de espelho, não existiam mais pessoas ou objetos só ela e o tempo, que rendido parou.
16 agosto, 2010
Amor e o Gelo
Logo lembrei das tardes quentes que passamos
Do doce engodo de corpos que credos, se entregavam
Vê-la em detalhes fez o meu coração desacelerar
Lembrava dos dias que preferi a TV ao engodo,
Preferia a fé em meu time ao toque de suas mãos
Sentir o seu cheiro me deu náuseas
O perfume barato era a ponta do um Iceberg,
Coberto de suas roupas simples e maquiagem infantil
Ouvir sua voz, me deixou confuso ...
Por apenas um momento,
Pois gemidos não sobrepõem-se a frases vazias
Foi o Oi mais lento da história...
07 junho, 2010
Vontade ou Saudade
Faz com que imagens comuns tornem-se fantásticas
Faz com que o fantástico torne-se óbvio.
Sinto algo por ti que parece, às vezes, óbvio,
Mas na verdade sempre foi confuso.
Se no passado a confusão foi algo bom...
Pois nos momentos de incerteza parecia um porto seguro,
Hoje o algo, é um furação ainda rodopia dentro de uma alma calejada.
Ter feito parte desse rodopio, foi intenso mas esclarecedor.
Se não esclareceu o que eu sinto,
Definiu o que eu não posso sentir por você.
Hoje me pergunto se é a saudade de um instante bom,
ou a vontade em um outro improvável momento que ainda...
me faz sentir enjôos.
03 janeiro, 2010
Ano Novo
Começar de novo
Desejar que se faça,
O que não conseguiu neste ano
Momento de reflexão, de promessas ou desejos
Passagem de ano
Que seja melhor que anteriores
O que será mesmo esse Ano Novo,
Apenas um símbolo de fim e início
Termina uma jornada e começa outra
Novas determinações, novos desejos
Ano novo, tempo de recomeçar?!
Não quero apenas, um ano novo,
Com desejo e tudo novo.
Quero contar os anos e perceber
Que nessa ilusão de tempo
Quero viver o momento
Só assim satisfarei todos os meus desejos
Noite virando dia
Que venha a virada do dia.
É nessa jornada da vida
Que as promessas se realizam
02 novembro, 2009
Não existem vencedores
A minha imagem refletida, a ironia buscando identidade
Duas imagens uma tentativa.
Dois sentimentos, um ferimento apenas?
Vidro e mármore em um duelo.
Cortantes maciças engasgaram as veias do ar.
Calar é...
São mais vivas, mais doces, concisas, corretas...
Mas basta elas transporem o imaginário,
Ganharem o corpo
E os mecanismos vitais as derem a armadura do som,
Para elas tornarem-se frágeis, inócuas, marionetes...
Amar é ficar calado.
Perdão
Com os olhos e bocas vendadas
O tempo se fazia presente
Aproximação parecia improvável
Mas o pavor se transformou
Em colar de falso ouro.
A imagem augusta e angelical
Era de um corpo cego e incompleto
Unido pelo passado
Os braços longe do corpo abraçavam
o futuro
As pernas retorcidas formavam
Um sinal cristão.
O silêncio e eternidade beijavam-se
Invejados pela dor.
Esperei que segundos imastigáveis,
Lágrimas trouxessem.
Veio um sorriso, leve e calmo
Que meu colar escondei de Deus
Corri buscando o presente
Uma espessa e única gota cai do céu havia perdoado mais uma vez.
01 novembro, 2009
Santíssima Trindade
Através de uma ferida em minha janela,
Rabisca meus quadros,
Faz pouco caso das minhas fotografias,
Filosofa sobre os meus livros
E paira no incólume pingente
Que carinhosamente roubei.
Um zunido envolve minha cama,
Mantendo a distância
Comum ao pedantes.
Ficamos em um jogo sensorial
De contemplação
A inquietação e a inércia duelam
Naquela Celeuma psicodélica e dolorosa
Mas o relógio pára e
O instante recomeça.
Uma vereda surge na parede e
O zunido desaparece
Agora um arquejo utiliza meu corpo,
Confunde o meu tato,
Combina sabores em meu paladar e
Inutiliza meu olfato.
Totalmente fragmento, percebo:
Há centelhas em meus olhos e
Radares em meus ouvidos.
Meu instinto predador é ativado
(isso me incomoda)
Abro as janelas e as possibilidades...
Procuro a gênese dos acontecimentos, mas...
Não vejo gatos.
Não vejo carros.
Não vejo bêbados.
Até as estrelas fogem de meu instinto.
deus, o que me incomoda tanto?
(Dores de cabeça e um momento de Lucidez)
É o silêncio chorando
Por medo da solidão.
29 outubro, 2009
Patativa do Assaré
O prosador do povo
Faz da vida uma poesia
Ele tinha o Dom Divino
Prosava de tudo
Da natureza à democracia
Da discriminação à libertação
Falava do aqui e do agora
Mostrando que dá tristeza do sertão
Não sobresai e nem ganha
Do coração desse povão
Que traz alegria no coração
No nordeste de meu Deus
Se consagrou esse trio
Gonzagão no Baião
Pe. Cícero na religião
E Patativa na imaginação e na prosação