01 novembro, 2009

Santíssima Trindade

Um estrondo invade meu quarto
Através de uma ferida em minha janela,
Rabisca meus quadros,
Faz pouco caso das minhas fotografias,
Filosofa sobre os meus livros
E paira no incólume pingente
Que carinhosamente roubei.

Um zunido envolve minha cama,
Mantendo a distância
Comum ao pedantes.
Ficamos em um jogo sensorial
De contemplação
A inquietação e a inércia duelam
Naquela Celeuma psicodélica e dolorosa
Mas o relógio pára e
O instante recomeça.
Uma vereda surge na parede e
O zunido desaparece

Agora um arquejo utiliza meu corpo,
Confunde o meu tato,
Combina sabores em meu paladar e
Inutiliza meu olfato.
Totalmente fragmento, percebo:
Há centelhas em meus olhos e
Radares em meus ouvidos.
Meu instinto predador é ativado
(isso me incomoda)
Abro as janelas e as possibilidades...

Procuro a gênese dos acontecimentos, mas...
Não vejo gatos.
Não vejo carros.
Não vejo bêbados.
Até as estrelas fogem de meu instinto.
deus, o que me incomoda tanto?
(Dores de cabeça e um momento de Lucidez)
É o silêncio chorando
Por medo da solidão.

Um comentário:

Victor disse...

Depois de tanto tempo, voltei a postar.

Mas este é um poema antigo, publicarei em breve algo realmente novo!