19 janeiro, 2009

Em julho, peixe come verdura?

O escritor Jorge Pieiro encontra o Eu e a partir dele viaja e volta, de leste a oeste, e descobre que aqui é qualquer lugar

O que é útil e mesmo necessário ao homem está ao seu alcance, mas o que ele admira sempre é o inesperado. (Longino)

O prumo literário de Eu é o de um anarco-surrealista em busca de uma dose de absinto. Sinto que não pode ser tão fácil assim para ele correr nessa raia insana. Ana - uma Bolena qualquer desta Fortaleza - um dia olhou para olhos vermelhos de Eu, que lhe perguntou se já havia realizado alguma viagem ao incerto da terra, tendo como guia aquele Rick Wakeman já sem longo cabelo. Belo foi o espanto dela. Ela se mostrou resistente à resposta. Posta na mesa a dúvida, foram consumidos alguns relatos de Eu sobre viagens reais ou delirantes e, solta no ar, a questão-título desta crônica, talvez para fisgar qualquer atenção. Tensão, pois, ao admirável inesperado.

viagem viagem
Na BR-116 Eu trafegava em um Passat bege. Viera resmungando mantras desde o susto na barreira rodoviária. Sentia a força misteriosa que lhe sacudia o tronco, aqueles sons de vaca sagrada que imaginara ter ouvido numa sessão de ioga. Apropriara-se do delírio inusitado e imaginara estar piloto de um disco voador ali pelas alturas da Aerolândia. Psicodelismos sem incentivos externos - afinal, endorfina misturada com adrenalina servem para provocar isto mesmo - quase o levaram ao êxtase. Mas todo cuidado é pouco, apesar de que a imaginação é uma arma muito decente... E Ana achou graça. Nunca passara por aquilo...

de leste a oeste
Tanto fez, se a bordo de uma camionete com aimarás na fronteira do Peru, ou no furgão de um ex-refugiado em Tiahuanaco, ou nas asas da Lloyd Aero Boliviana, ou na canoa sobre o Titicaca, ou no trem da morte desde Puerto Suárez, ou no táxi para a Estação da Luz, ou no jeep vermelho em Bamberg, ou no Antonov 26 rumo a Cayo Largo, ou no trem a partir da Estación de Chamartín, tanto fez, se todos os caminhos terminaram ante o boi de pedra de defronte ao saguão do velho Aeroporto Pinto Martins, nas cercanias da Lagoa do Opaia, habitat do sapo-cururu ancestral. Voltar sempre foi um dilema. Esta Fortaleza, pensou Eu, é uma concha semi-lacrada, a falsa cela de Bárbara de Alencar no Forte Schoonenborch... E Ana sorriu desconfiada. Jamais imaginara tantos caminhos e nenhum destino...

daqui pra lá
Com um Evan(gelista), um viagem épica. Dois dias em um fusca amarelo rumo a Teresina. Fumaça, fome e farra. Mais fumaça e fome que farra. Viajar em todos os sentidos era o que dava o tom. Daqui pra lá, festa. De lá pra cá, cansaço, desespero, arrependimento. Eu não tinha mesmo o que fazer. Não bastasse, logo em seguida, o primeiro vôo, quase direto ao Geraldão, em Recife, para o rock progressivo do Rick. E, sem perder o rumo, salto distante à capital do Brasil para -ter-o-que-fazer na "Caminhada da Lua". Sem contar a loucura do semi-leito rumo a Belém, só para Ver-O-Peso... E Ana entortou o canto da boca, sem jeito, como se quisesse perguntar por que Eu voltava sempre...

o sem terno retorna
Eu ia todos os domingos ao centro Sobral da terra e retornava todas as terças à desalmada capital. O ônibus, ida e vinda, era nauseabundo e ninguém sentia. O povo era bom, mas não sabia disso direito. Nos terminais, em um, os pobres eram soberanos, como soberano fora o historiador e poeta Antônio Bezerra. No outro, Eu não entendia como podia ser tão fétido o caminho do alívio - dos ricos? E o engenheiro João Thomé certamente era só vergonha, onde estivesse. Uma amiga de Eu, pretendia um povo limpo!", apesar dos "pobres", mas também dos lixinhos jogados de Pajeros pretas dos que dizem pagar impostos, sic, para ter direitos...

aqui é qualquer lugar
Eterno é o retorno à convulsão... Eu sabe: de paz e sanidade é do que ele e esta Fortaleza necessitam... Para aquela Ana, Eu findara por admitir que a verdadeira viagem fora a daquele instante férias: ao coentro da guelra do peixe saboreado no Zé do Mangue, tardezinha de garças, de cheiro forte de chão e lama, de lua beirando a profana alegoria, de coração em pólvora, enfastiado de tantos problemas e de certas incertezas do cotidiano.

Crônica de Jorge Pieiro, Cearense, Escritor e Professor

15 janeiro, 2009

Inglórias e Eu nas alturas desfiadas

Dar-te-ei tudo isto, se prostrando-te diante de mim, me adorares. (Mat 4, 9)

O homem pós-moderno é muito mais insensível do que o moderno! Revitalizando as palavras de Anatole Baju em seu Manifesto Decadente, de 1886, Eu sacode os ombros e decide sofrer as verdades desta vida destoante. Apóia-se no silêncio e enfia-se em escadas invisivéis rumo aos píncaros, de onde a queda é mais grave.
Na verdade, Eu revive conflitos. Paradoxos e barroquismo. Ou fantasia a serenidade e transforma-se em nefelibata - aquele que anda ou vive nas nuvens. Daí todo esse cortejo de experiências sendo reavaliado. Trazendo no peito a marca dos angustiados, Eu experimenta a tentação de ser alevantado às alturas, porque aqui por baixo ninguém mais se atura, nem em prosa ou em verso barato.
Pouco a pouco, desanovela o fio do nó da garganta... e esta Fortaleza - bela? -, das alturas, vai diminuindo de tamanho, visível por todos os lados, parecendo linda, pura, insana, confirmando a lógica perversa do de-perto-ninguém-ou-nada-é-normal, e vai se desanuviando, se renunciando...
Eu respira fundo, transporta-se a outro tempo e lugar, e sente a primeira vertigem. Volta ao lugar de nunca mai. E do alto da torre da igreja de Santo Antônio, escalada furtivamente, entre morcegos, cheiros de vela e sombras da mente , uma coleção de Carlos Zéfiro acentua o primeiro desejo. e no olhar distanciado e satisfeito ao alto de um prédio ao largo, uma velha águia repousa, como se estivesse crucificada, sobre o globo terrestre. Profanando a sua própria história, Eu imaginava a ave defecando pedrinhas sobre o mundo...
Passe mágico, Eu veste-se de medo, desta feita no alto da coluna da hora na praça Capitão João Ennes, perseguindo o rastro de uma gosma existencial deixada pelos ponteiros em sua vertigem eterna. Muito além, a Chapada do Apodi e seus escarros de poeira vermelha firma-se como um altar de sacrifícios. Tonto, Eu parecia ruminar verdades em alguma cadeira a balançar no alto de uma roda gigante do Parque Brasil.
Veio, então, a vez de sobrevoar outra mesma divindade. Eu, filho de Nossa Senhora da Assunção, desviou seu carinho profano para Nossa Senhora da Conceição. Limoeiro do Norte passou a ser um monóculo escondido na gaveta, quase a doer, e as cores de Fortaleza, vistas de cima, era quase encantada pelos pontos luminosos salpicados da arte de Zé Tarcísio, e forjaram espinhos na garganta de Eu. Mas era só miragem...
Eu não pretendia ser universal cantando a mirrada aldeia ou a desgastada Aldeota, mesmo porque todos os lotes do senso comum eram clandestinos. O poeta exilado desta paragens Adriano Espínola já se manifestara do alto do Hotel Savanah, em 1982, ao lançar sobre a cidade, literalmente, seu desagravo , celebrando a urbe e a vida contemporânea, movida pela economia liberal-burguesa-consumista.
Eu não expressaria seu horror diante da torre da TV Cidade, quando ali do alto o malfado filho do mundo, entre a angústia e a desilusão, ouviu os gritos, grito de Münch avesso e deturpado, de uma canalha sem coração: "Pula, pula!" Quanta expressão de dor nos sons daquela audição escura, latente, terrifica, revelada por Augusto César Motta em trilha de filme nunca realizado!
Eu não desistiria do calabouço invertido dos céus em cenas de indizível prazer, em retornos desde Lima, Lommel, Havana, Quillacollo, Kolscheidt... Eu só não queria a vida desse jeito, Abel Silva, asa partida... Eu só queria sonhar ou voar mais livre, sem o chumbo nas asas, sem o sol de Ícaro, sem o fim dos desejos.
Do alto deste edifício, moço, Eu apenas ansiaria o verde que se raspa das margens do Cocó; rogaria uma luz mais nítida, a clarear novas imagens coloridas, enfeitando mais uma vez o Morro Santa Terezinha; pediriria uma cruz mais viva para realinhar em novo tempo Pnzon e Diogo Lepe, nas dunas da Barra do Ceará...
Mas o homem pós-moderno é muito mais insensível! E este chão de nuvem transforma Eu em assasino da própria dor. E a vertigem se dá mesmo é no chão, por este chão de asfalto irregular, por estas vielas inchadas de mistérios e algozes, por esta falta de educação latente pelas ruas e calçadas.
Insensível, embora uma réstia de esperança ainda se produza, Eu sabe que esta ausência de certezas e de cidadania e o jogo premeditado de todos os jeitinhos recebem de braçoa abertos a fina flor da sociedade que se esmera em produzir o lixo da aldeia.
Não pela reminiscência lúdica em um chão de barro e piões e bolinhas de gude e chuva e lama, mas pelo chumbo de um céu caindo spbre as cabeças, este inglória é o que mais implora o que resta desse Eu consumido, prostrado diante de nadas.

Crônica de Jorge Pieiro, Cearense, Escritor e Professor

12 janeiro, 2009

Sete quedas ou quase duas

Jorge Pieiro
Eu já levou muitas quedas na vida. de bicicleta Monareta ou sobre seu cavalo de ferro, pelos sertões ou no final das farras homéricas

Se existe razão de orgulho em meu passado, é que me tornei prisioneiro, e não soldado. (Joseph Brodsky)

Uma monareta verde foi o presente mais importante da vida de Eu. Aprendera muito cedo a andar sobre duas rodas e era até metido a realizar piruetas, mas não era tão ágil como Wilsinho ou Maninho, saltando do alto da pista-calçada da Igreja Matriz sobre um monte de areia. Na verdade, tinha era receio de estragar o presente dado pelos pais, por conta daquele sacrifício tão natural a famílias de dinheiro contado.

Mas não se fez de rogado uma vez e pediu emprestada a cobiçada monareta descascada - sem pára-lamas, sem porta-corrente, sem freios... - para o primeiro salto em direção ao... monte de areia quase metido narinas, ouvidos e goela abaixo, repercutido sob a vergonha daquelas vaias estrondosas só mesmo bem aplicadas pelas gargantas dos cearenses genuínos. A primeira queda a gente nunca esquece...

Distante da terra das bicicletas - a que quase fez o “videomaiquer” e fotógrafo Tibico registrar cenas no que seria o documentário Limoeiro, Amsterdã e Pequim - Eu até tentou pedalar pelas ruas soturnas da Terra do Sol, na época em que centenas de “baiques” interrompiam a calada com um desfile de fazer inveja a qualquer palco do mundo “fexion”. Mas não. A “baique” era peba e um desaviso levou Eu a espatifar-se em plena Duque de Caxias, quase bueiro a dentro.

Um dia daqueles distantes ainda, bateu uma vontade imensa de possuir uma Garelli. A tia ficava sem jeito, de tão cuidadosa, de quase negar uma volta ao sobrinho em seu motociclo amarelo... Quase por isso Eu jurou diante do espelho que um dia teria uma igual. Mas quando conseguiu juntar dinheiro, comprou do primo, Pote, de segunda mão, uma RX 125 marrom, Yamaha, com a qual ficou dormente logo na primeira semana, após, sem experiência nenhuma, engolir duzentos quilômetros de asfalto... Com a Honda vermelha já era mais hábil. Com a NX preta, metida a grande sem ser... Também, pudera, em companhia de Domingos, Catatau, Soldado e tais, não passava de militante de um bando de sabotadores de sanidades, gafanhotos de trilhas e da pista por trás da birosca de Zé do Peixe, na praia que nunca chega ao futuro.

A primeira queda veloz Eu também nunca esqueceu. Capacete não era ainda obrigatório, quanta irresponsabilidade! Todas as manhãs, saindo da Adolfo Herbster, pegava a Jovita rumo ao campus do Pici. Naquela, caíra um sereno suficiente para deixar o chão suado. A mãe, parece ter parte com os mistérios, comentou sem convicção, “vá de capacete, choveu...” Eu foi. Pois não é que inadvertidamente uma Brasília cruzou o caminho, deixando a motocicleta empurrando a porta traseira, enquanto, no auge do vôo, ouvia-se: “é um pássaro, é um avião” e não passava de Eu borbulhando no ar até se esborrachar sobre a bolsa de couro nas pedrinhas do asfalto... Quase uma fatalidade.

Mas as descaídas que contam mais foram aquelas irresponsáveis. Como por exemplo, a do retorno, já com o sol clareando, vindo do Estoril, excesso de cuidado que facilitou o sono do anjo da guarda. Numa passagem de nível, próxima à Francisco Sá, os olhos se embuçaram e o que restou foi a roda dianteira presa, acompanhada de rabiçaca da traseira, como se o cavalo de ferro se enfastiasse do dono da sela. E tome chão... Mas desta vez ninguém viu.

Ou aquela clássica, alta madrugada de soluços e imagens duplas, final da 13 de Maio, quando Eu, delirante, imaginou estar diante de um caminhão do lixo, boca de ferro engolindo tudo, e ele seria o próximo. E nesta fração, toda a convicção destinou-se ao freio a disco da dianteira. Não deu outra. Chão, farol e cotovelos integraram-se por um instante. Mas o melhor (ou pior?) estava por vir. Uma Kombi parou ao lado, um perguntou se estava tudo bem. Foi muito chato para aqueles improvisados anjos de resgate ouvirem o gracejo de Eu, perguntando: “Gostaram da queda?” Minha mãe que me perdoe o que ouvi...
Sem contar os acidentes que não aconteceram, mas poderiam ter transformado Eu em um montículo esponjoso de carne ralada. Por exemplo, a insânia de chegar novamente à capital pilotando uma 400cc, desde Juazeiro do Norte, passando por uma chuva de quase granizo sobre a flor da pele negra... Uma pedrinha ali desavisada seria quase um bicho sem proporção. Ou aquela descida da Serra de Baturité, até ficar sem freios na curva... A sorte veio da bananeira no caminho, melhor que qualquer pedra... Até a desistência de querer viver quase perigosamente, depois da inocente derrapada em óleo, na curva do viaduto, rumo a Messejana.

Ó tempos de Eu entre quedas e sorguimentos! Ó seleta expressão metafórica que cabe àqueles que se largam em perigos disfarçados de liberdade! Ó sonhos mal desenhados que despertaram sem seqüelas!

Pois foi dessa maneira que, sobrevivente, cedo da manhã, em plena Bezerra de Menezes, há poucos dias, Eu contou 28 motos e 17 bicicletas numa arrancada só, em direção ao centro da cidade. Entregues aos impulsos do vento e aos perigos do tempo, eles corriam em busca do pão a amassar na lida do dia. Eu ficou de memória, recordando, estarrecido, quase imóvel durante um segundo, até ser xingado entre buzinas, por não atentar para o sinal verde, sem mais nenhuma esperança, que o arrebatou daquele transe para a dura realidade da má educação e da intoxicada loucura das gentes... Em busca de quê?

Crônica de Jorge Pieiro, Cearense, Professor e Escritor

01 janeiro, 2009

Feliz Ano Novo

Ano Novo chegando
Chegand
Chegan
Chega
Chegou

Ao mesmo tempo em que esperamos ansiosamente este novo ano,
Lembramos das alegrias e das tristezas do ano que passou,
Esperando profundamente que no ano que chega
Aconteça o melhor de todos os outros anos

Para desejar um ano novo melhor,
Uns fazem superstições,
Outros oram e
Outros apenas se divertem.

Desejo a você um Feliz Ano Novo
Paz, Amor, Alegria, Saúde e Felicidades
Mas não só desejo-lhe isso por nascer um ano novo

Espero que este sentimento se transmita todos os dias de nossas vidas
Pois não só temos o ano novo para desejar felicidades e melhoras
Temos todos os dias,
Pois um novo dia se faz a cada dia

Dia no qual procuramos alcançar a nossa felicidade
E a dos outros,
Pois a felicidade completa se faz
Quando sentimos transbordar a felicidade nas pessoas ao redor
Disseminemos essa Felicidade

E assim alcançaremos a paz
Que tanto almejamos

Feliz Ano Novo
Carpe Diem

31 dezembro, 2008

Frase da Semana

“(…)Não existe meio de verificar qual é a boa decisão, pois não existe termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez, sem preparação. Como se o ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio já é a própria vida? É isso que faz com que a vida pareça sempre um esboço. No entanto, mesmo “esboço” não é a palavra certa porque um esboço é sempre um projeto de alguma coisa, a preparação de um quadro, ao passo que o esboço que é a nossa vida não é esboço de nada, é um esboço sem quadro(…)”

Milan Kundera, escritor tcheco

28 dezembro, 2008

Crise Econômica - 1

A crise pode ser explicada de várias formas, mas com certeza a impreensa nacional costuma complicar, para facilitar a sua vida, o Diário de um Workaholic traz a você a compilação de duas reportagens:

O jeito complicado de se explicar a crise:

Dicionário de Jargões da Crise, um especial do estadão.

alavancagem, desalavancagem
Alavancagem é a obtenção de recursos para negociar ativos (ver ativos) e derivativos (ver derivativos) por um valor maior do que o seu patrimônio pode cobrir. Em outras palavras, é quando você investe mais do que você tem. Assustador, não? Pois é rotina no mercado financeiro. Um banco conservador tem US$ 1 de patrimônio para cada U$ 10 investidos. Para os mais arrojados, a relação vai a US$ 1/US$ 30. É a estratégia de cinco entre cinco bancos de investimento (ver bancos de investimento).
Desalavancagem é o contrário: é quando o investidor se desfaz de empréstimos e obrigações com o objetivo de reduzir a relação entre seu investimento e seu patrimônio.

economia real
sequer investiu; enfim, quando uma crise financeira rompe a bolha de Wall Street, é que chegou à economia real.
Os efeitos mais sentidos da atual turbulência é a escassez de crédito, a queda no preço das commodities (ver 'commodities') e maxidesvalorização (ver 'máxi') de moedas frente ao dólar.

securitização
empréstimos em aplicações que podem ser negociadas no mercado financeiro. Seu propósito é pulverizar os riscos, minimizando-os. Mas esta crise tem demonstrado que a securitização indiscriminada, com fins de especulação, pode provocar o efeito contrário, multiplicando os riscos. Foi justamente o que aconteceu com o mercado de subprime (ver 'subprime')

máxi
maxidesvalorização. Nomeia a abrupta queda do valor de moedas de todo o mundo frente ao dólar. No Brasil, a cotação da moeda americana saltou de R$ 1,56 para mais de R$ 2 em apenas dois meses.
A desvalorização do real deveria deixar exportadores bastante felizes. Mas deu-se o contrário. É que muitos haviam apostado no real forte em operações altamente especulativas conhecidas como venda de opções de compra (ver 'mercado de opções'): captaram mais dólares do que precisavam, trocaram em reais no Brasil e apostaram no mercado futuro que a cotação não passaria de (exemplo real) R$ 1,8, com a expectativa de lucrar com o juro alto. Agora estão ameaçados de ter de vender dólares ao teto combinado de R$ 1,80, mais de 10% abaixo da atual cotação.

negative feedback loop
Traduz-se por 'circuito de retroalimentação negativa'. Também conhecido como pânico: é quando todos os operadores parecem vender tudo que tem para fugir do mercado

papel podre
É o pária do mercado financeiro: títulos que não tem credibilidade e por isso não encontram comprador, por mais que se desvalorizem. Alguns dos exóticos títulos lastreados em hipotecas (ver 'subprime') que inundaram o mercado e arrastaram grandes bancos de investimento (ver bancos de investimento) para o centro da crise são os papéis podres da vez. São estes títulos que governos de todo o mundo estão inclinados a comprar, para injetar liquidez (ver 'liquidez') nos mercados.

derivativo
nome. Uma ação, que é um ativo, pode ser comprada e vendida no mercado à vista. Já o direito de compra desta ação a um certo valor até uma certa data é um derivativo. Esta operação não envolve necessariamente a ação, mas sim a opção de comprá-la ou vendê-la. Transações deste tipo são realizadas no mercado futuro ou no mercado de opções (ver 'mercados').

circuit breaker
eduzir a volatilidade durante o pregão. É disparado quando a variação nos preços dos papéis excede algum limite pré-estabelecido - que varia de bolsa para bolsa.
Em São Paulo, o 'circuit breaker' será acionado sempre que índice registrar uma queda superior a 10% em um mesmo dia. O objetivo é conter o pânico. Ironicamente, em tempos de crise, o circuit breaker tem sido tomado ele próprio como mais um ingrediente do pânico.

liquidez
quem quer vendê-lo, compromete toda a rentabilidade. Uma ação, a rigor, é líquida: salvo cláusula contratual, pode ser vendida diariamente no mercado. Mas, como certos imóveis, a necessidade de vendê-la por significar prejuízo. Daí que, regra geral, ação é um investimento para quem tem certo fôlego financeiro e pode esperar a melhor hora pelo melhor retorno.

hedge, fundos de hedge
brasileiras abandonasse o hedge cambial, mas a disparada da moeda americana já provoca uma reversão.
Fundos de hedge, a rigor, são os que se dedicam a intermediar e administrar este tipo de operação. Mas isso nem sempre significa proteção. Ao contrário. É uma atividade de grande risco, na medida em que envolvem alta alavancagem (ver 'alavancagem'), baixo capital inicial e muita venda a descoberto (ver 'vendas a descoberto').

subprime
Durante os anos de juros baixos, os americanos aproveitaram para refinanciar suas casas, levantar dinheiro e até adquirir outras, aumentando o patrimônio. Quando os juros subiram, como forma de conter o consumo e a inflação, as parcelas do financiamento das casas começaram a subir - e muito rapidamente para quem havia utilizado as linhas subprime. O resultado foi a inadimplência generalizada. Até aqui teríamos apenas o estouro de uma bolha imobiliária. Mas a quebradeira logo chegou ao mercado financeiro, uma vez que estes créditos de risco já há muito circulavam na ciranda financeira (ver 'derivativos')

à vista, a termo, opções
venda de um ativo em uma determinada data ou período. Por exemplo: se um investidor acha que um determinado papel vai subir muito no futuro, ele pode tentar adquirir o direito de compra deste papel a um certo valor. Se de fato o preço subir, ele pode exercer sua opção e adquiri-lo pelo valor acertado. Resta claro que o risco de vender um opção de compra é sempre maior que o de adquiri-lo. Por isso, os compradores, exercendo ou não sua opção, pagam sempre um prêmio ao vendedor.

recessão, depressão
passo da recessão. Teme-se, na verdade, sua forma mais severa: a depressão, com impactos mais profundos e uma recuperação mais lenta. Não há definições técnicas para depressão, mas convencionou-se falar em queda de mais de 10% do PIB. Nestes termos, a última depressão que os EUA conheceram foi a famigerada Grande Depressão, nos anos 30 (ver 'crash').

passivo, ativo
Passivo são as dívidas e obrigações de uma empresa. Ativo é o patrimônio: bens, títulos, ações, moedas, ouro etc.

crash
Crash é de causar arrepios. Remete ao histórico colapso da bolsa de Nova York de 1929, a que se seguiu a Grande Depressão(ver 'depressão'), durante a qual 40% dos bancos americanos faliram, o desemprego atingiu 25%, as pessoas perderam seus depósitos, e as empresas, acesso ao crédito. À calamidade econômica, seguiu-se uma escalada totalitária que culminou na Segunda Guerra Mundial.
Porque a atual hemorragia nos mercados é tão intensa e vertiginosa quanto a do fatídico outubro de 1929, já há analista falando no 'Crash de 2008'.

swap cambial, swap reverso
recurso com o qual o Banco Central procura compensar a escalada do dólar. Os contratos de swap cambial equivalem a uma venda indireta de moeda e servem sobretudo para quem precisa se proteger da variação do câmbio. Nessa operação, as instituições que adquirem os contratos têm a garantia do BC de receber a variação do dólar no período do contrato – para cima ou para baixo. Em troca, têm de pagar juros de mercado ao BC.
Contratos deste tipo não eram oferecidos há dois anos. Nesse meio tempo, o BC praticou eventualmente a modalidade reversa do swap cambial: foi credor em dólar e devedor em taxa de juros. O objetivo era também reverso: compensar a queda abrupta do dólar.

default, swap de default
ver com a atuação do Banco Central no mercado de câmbio. O que trouxe este derivativo (ver 'derivativos') ao centro da crise é que há muito mais CDSs em circulação do que os títulos que eles deveriam cobrir. Trata-se de um mercado de dezenas de trilhões de dólares, pouco regulamentado, cujo vigor dependeu justamente da confiança de que não haveria calote...

vendas a descoberto
praças. Por meio das vendas a descoberta, operadores prometem vender no futuro algo que ainda não tem - e em geral nem prentedem ter. É uma aposta na queda do valor dos papéis. E é uma aposta arriscada: caso suba a cotação, a outra parte certamente vai exigir a entrega do papel, e o operador se verá obrigado a comprá-lo pelo preço de mercado.

commodities
diversos mercados. Exemplos: soja, café, milho, petróleo, ferro, alumínio, borracha, algodão etc. A atual turbulência financeira tem derrubado a cotação das commodities. A razão disso é que o provável efeito de uma crise desta magnitude é deprimir o consumo nos países mais ricos e, por conseqüência, a demanda por commodities. Tomados pela aversão ao risco, os investidores procuram então trocar seus investimentos em commodities pela segurança do dólar e dos títulos do Tesouro americano, os T-Bonds.
A queda no preço das commodities tem impacto direto na balança comercial do Brasil, uma vez que estão no centro da pauta de exportação, e também na Bolsa de São Paulo, via papéis das gigantes Petrobras e Vale do Rio Doce, entre outras.

bancos de investimento
Em 1933, durante a Grande Depressão, o congresso americano passou o Ato Glass-Steagall, que separou os bancos comerciais dos bancos de invesimento. A lei impedia o acesso a depósitos considerados seguros por parte de instituições financeiras envolvidas em transações de alto risco. Põe risco nisso. Nenhum dos gigantes do setor, alguns centenários, escapou da crise atual. O Lehman Brothers quebrou. O Merrill Lynch foi forçosamente vendido ao Bank of America. O Bear Stearns, ao JP Morgan. Goldman Sachs e Morgan Stanley, os últimos bancos de investimento independentes, solicitaram mudança de status, para holding bancárias. Serão sujeitas a uma regulamentação muito mais intensa, mas terão acesso aos depósitos considerados mais seguros.

A forma interativa e divertida de explicar a mesma crise:
Sequencia de três vídeos produzidos pelo Marcelo Tas, encomendados pela UOL

Tas na Crise 1: A Crise Vista do Taxi


Tas na crise - Episódio 2: Analistas 'chutam' previsões


Tas na Crise - Episódio 3: "A crise dentro da cabeça"

Crise Econômica - 2

Como havia prometido, resolvi escrever sobre a crise ecônomica.



Como todos nós, esquecemos do mundo neste fim de ano, é bom lembrar que o ano de 2009, será o pior ano para a economia global desde a Crise do pretróleo de 1973, sendo essa afirmação algo otimista, afinal existem analistas que colocam essa crise como a maior do capitalismo moderno.

Se ela será maior ou menor para o mercado global, não é o cerne dessa questão, mas quanto e como ela irá atacar o Brasil e o seu bolso, além do mercado de software, pois afinal é um dos motivos desse blog existir.



Vamos a alguns dados interessantes:

- Segundo o Departamento de Assuntos Sócio-Econômicos, Desa, das Nações Unidas o Brasil só crescerá em 2009 em média 0,5% (Este índice é relacionado ao PIB) .

- O Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que cresceremos 3%.

- O Desemprego está na casa de 7,5%, segundo dados de novembro em pesquisa realizada pelo IBGE, para destacar é menor índice do ano.

- Foram criadas apenas 61.400 mil novas vagas com carteira assinada em outubro, enquanto em setembro foram 282.841 mil .

- A inflação quase que dobrou em outubro, em relação a média dos dois meses anteriores, o indíce foi 0,45%.

- Para concluir as estatísiticas, fica o nosso superávit primário, que atingiu a casa de R$ 14,472 bi.



O que podemos avaliar sobre o impacto no Brasil, muito pouco. Afinal os índices são contraditórios, por isso mesmo devemos avaliar o terreno. Não devemos entrar em pânico, pois isso não ajudaria a economia nacional, mas devemos ter cuidado redobrado com as nossas economias e estarmos preparados para um ano mais complicado.



Se para o mercado em geral, a crise vai ser complicada, para o mercado de TI e softwares o campo ainda é mais arenoso. No campo otimista, mesmo a crise intensificando as empresas manterão seus projetos ou buscarão na TI e softwares formas de diminuir custos. No campo pessimista haverá cancelamento de projetos e as políticas de pleno emprego nos EUA e Europa, podem fechar um mercado que hoje é ocupado pelos indianos, que virariam seus planos de ação para os países emergentes como o Brasil.



Fim do mundo? Recessão? Ou sou uma ventania, que logo passará?

Depende como você estará preparado. A receita é a mesma de sempre:

1- Estude muito bem a sua empresa, pois mesmo que ela piore finaceiramente, apenas alguns serão demitidos.

2 - Trabalhe muito, é melhor forma de ser reconhecido.

3 - Guarde um pouco de dinheiro, o pior é uma das possibilidades.

4 - Fique atento as oportunidades, elas surgirão, mesmo que sejam em uma área distinta a sua.

5 - Não fique paranóico, não ajuda em nada.

25 dezembro, 2008

A Revolução dos Bichos, George Orwell


Pré-Comentários
Há algum tempo não tenho o prazer de discutir história com os amigos, a minha mudança de carreira me levou a um mundo bem distante daquele que estava a alguns meses, porém a frieza da mundo corporativo e tecnológico, não é nocivo aos meus instintos históricos. Continuo um diletante da história, displicente e fiel.

Após uma noite de natal, buscamos esquecer um pouco a rotina e através do humor, amigos ou preguiça nos embebedamos de falsas sensações. Como sou humano, estava eu em minha morada com aquela leve ressaca, quando a TV me surpreende com A revolução dos bichos, o filme baseado na obra homônima de George Orwell, e devo ao SBT o motivo deste post (pode!?)

Comentários
O filme se passa em uma fazenda da Inglaterra, mas poderia ser qualquer fazenda do mundo, uma fábula moderna recheada de referências aos movimentos políticos, sociais e econômicos europeus do fim do século retrasado e ínicio do século passado, pitadas de socialismo utópico e científico, fascismo, imperialismo e liberalismo são distribuídas por todo o filme. Porém qual a real importância desta obra? Qual o fio condutor da originalidade?

Quem acha que é utilizar os bichos para denunciar ações humanas, deve lembrar que Esopo e La Fontaine ou mesmo Bocage e Monteiro Lobato, ja faziam isso em seus textos de forma brilhante. Já quem supõe que é a crítica ferrenha ao stalinismo de forma sútil, deve ler os livros de Issac Babel e Milan Kundera. Então o que sobra?

A metodologia. O livro conta de forma didática, todo um processo histórico, que levou anos para se concluir, de uma maneira que encaixa-se nos momentos corretos: as situações e os personagens específicos em cada página do livro.

O líder utópico (Porco Velho Major), o sucessor prático (Porco Napoleão), Conselheiro manipulador (Porco Garganta), o crítico inconsequente (Porco Bola-de-neve) , a massa alienada (Ovelhas), o trabalhador incansável (Cavalo Sansão), Negociadores (Ratos), os mandamentos originais, os mandamentos deturpados, o centro de poder antigo tornado-se novo centro de poder, as execuções e a esperança.

Juntando tudo isso a uma narrativa veloz, temos uma obra-prima.

Destaques:
O personagem:
Garganta, sujeito-porco responsável pelas manipulação dos fatos, artista do convencimento, está sempre pronto para dirimir qualquer dúvida sobre o comportamento de seu mestre Napoleão.

A passagem marcante:
A discussão entre Bola de Neve e Napoleão, sobre os rumos da revolução, fazendo uma referência clara a disputa entre Trostki e Stálin, sobre a Revolução para o mundo e Revolução em um país só. A cena acaba com a expulsão de bola de neve e a consolidação de napoleão como líder despótico da fazenda.

A frase do livro:
Os animais são todos iguais, mas uns são mais iguais que outros.

7º mandamento do animalismo


Informações Técnicas

O título do livro original: Animal Farm, 1945

Autor: George Orwell (1903-1950)

Adaptações para outras mídias: Dois filmes homônimos, um de 1954 e outro de 1999. Também existe um albúm do Pink Floid, chamado Animals que faz referências ao livro.


Downloads:

Obra completa:



Revolução dos Bichos - George Orwell



As festas, de Luís fernando Verrísmo

Aproxima-se a perigosa época das festas. O Natal e o Ano-Novo, como se sabe, despertam os melhores sentimentos das pessoas, e isto pode ter conseqüências terríveis. São conhecidos os casos de paixão, alguns até terminando em morte, que começaram em festas de fim de ano, na firma, quando o espírito de conciliação e congraçamento leva as pessoas a baixarem a guarda e aceitarem o que normalmente não aceitariam e a fazerem o que, no resto do ano, nem pensariam, ainda mais depois de beberem um pouco. Nada mais embaraçoso do que, no segundo dia do ano novo, ter de tentar desfazer algum equívoco do fim do ano anterior.
— Dona Teresa, eu...
— Pintinho!
— Pinto. Meu nome é Pinto.
— Humm. Como nós estamos mudados, hein? Na festa...
— Era justamente sobre isso que eu queria lhe falar dona Teresa. Na festa. Algumas coisas foram ditas...
__Só ditas não, não é, Pintinho?
— Pinto. Pois é. Ditas e feitas, que...
— Já sei. Vamos fingir que nada aconteceu.
— Eu preferiria.
— Muito bem. Só não sei o que vou dizer ao papai.
— O que que tem o seu pai?
— Ele está vindo de Cachoeiro para o casamento.
Outra coisa perigosa é a pessoa se entusiasmar no fim do ano e decidir mudar. Ser outra pessoa. Deixar velhos vícios e adotar novas atitudes, ou recuperar algumas antigas. Janeiro, ou pelo menos a sua primeira quinzena, é uma espécie de segunda-feira do ano. As ruas ficam cheias de novos virtuosos, pessoas resolvidas a serem melhores do que no ano passado.
— Olhe.
— O que é isso?
— Aquele livro que você me emprestou.
— Eu não me lembro de...
— Faz muito tempo. E, na verdade, você não emprestou. Eu peguei. Eu costumava fazer isso. Nunca mais vou fazer.
— Você pode ficar com o livro. Eu...
— Não! Ajude a me regenerar. Quem fazia essas coisas não era eu. Era outra pessoa. Um crápula. Decidi mudar. Este sou o eu 2006. Comecei devolvendo todos os livros que peguei dos amigos. Acabou com a minha biblioteca, mas que diabo. Me sinto bem fazendo isto. Outra coisa. Precisamos nos ver mais. Eu abandonei os amigos. Abandonei os amigos! Olhe, vou à sua casa este sábado.
— Não. Ahn...
— Prometo não roubar nada.
— Não é isso. É que...
— Já sei. Vamos combinar um jantarzinho lá em casa. A Santa e eu estamos ótimos. Fiz um juramento, na noite de ano bom. Que me regeneraria. E ela me aceitou de volta. Há dois dias que não olho para outra mulher. Dois dias inteiros! Isso era coisa do outro.
— Sim.
— Do crápula.
— Sei...
— Eu era horrível, não era? Diz a verdade. Pode dizer. Uma das coisas que eu resolvi é não bater mais em ninguém. Era ou não era?
— O que é isso?
— Como é que eu podia ser tão horrível, meu Deus?
— Calma. Você está transtornado. Vamos tomar um chopinho.
— Não! Não posso. Jurei que não botaria mais uma gota de álcool na boca.
— Mas um chopinho...
— Está bem. Um. Em honra da nossa amizade recuperada. E escuta...
— O quê?
— Deixa eu ficar com o livro mais uns dias. Ainda não tive tempo de...
— Claro. Toma.
— E vamos ao chope. Lá no alemão, onde tem mais mulher.

Não gosta de natal, faça que nem o capitão nascimento:
http://charges.uol.com.br/2007/12/22/capitao-interroga-papai-noel/

O homen trocado, de Luís fernando Verrísmo

O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem.
- Tudo perfeito - diz a enfermeira, sorrindo.
- Eu estava com medo desta operação...
- Por quê? Não havia risco nenhum.
- Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos...E conta que os enganos começaram com seu nascimento. Houve uma troca de bebês no berçário e ele foi criado até os dez anos por um casal de orientais, que nunca entenderam o fato de terem um filho claro com olhos redondos. Descoberto o erro, ele fora viver com seus verdadeiros pais. Ou com sua verdadeira mãe, pois o pai abandonara a mulher depois que esta não soubera explicar o nascimento de um bebê chinês.
- E o meu nome? Outro engano.
- Seu nome não é Lírio?
- Era para ser Lauro. Se enganaram no cartório e...
Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar nauniversidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista.
- Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mêspassado tive que pagar mais de R$ 3 mil.
- O senhor não faz chamadas interurbanas?
- Eu não tenho telefone!
Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes.
- Por quê?
- Ela me enganava.
Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer:
- O senhor está desenganado.
Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite.
- Se você diz que a operação foi bem...
A enfermeira parou de sorrir.
- Apendicite? - perguntou, hesitante.
- É. A operação era para tirar o apêndice.
- Não era para trocar de sexo?

21 dezembro, 2008

Crise Econômica

"A crise consiste precisamente no fato de que o velho está morrendo e o novo ainda não pode nascer. Nesse interregno, uma grande variedade de sintomas mórbidos aparecem."

Antonio Gramsci

Brasil e a ineficácia



Mais uma daquelas comparações entre países, em tempos de Tecnologia da Informação, e apesar de ser (casualmente...) entre Brasil e Japão, a história vem da ensolarada Califórnia, nos Estados Unidos, transmitida pelo William Peel Poulin em 29/10/1999:
"Conta a história que, em 1994, houve uma competição entre as equipes de remo do Brasil e do Japão.
Logo no início da competição, a equipe japonesa começou a distanciar-se e completou o percurso rapidamente. A equipe brasileira chegou à meta com uma hora de atraso.
De volta ao Brasil, o Comitê Executivo se reuniu para avaliar as causas de tão desastroso e imprevisto resultado e concluiu:

* A equipe japonesa era formada por um Chefe de Equipe e 10 remadores.

* A equipe brasileira era formada por um remador e 10 Chefes de Equipe. A decisão passou para a esfera do Planejamento Estratégico com vistas a realizar uma séria reestruturação da equipe para o ano seguinte.
Em 1995, logo após a largada da competição, a equipe japonesa logo distanciou-se e, desta vez, a equipe brasileira chegou à meta com duas horas de atraso. Uma nova análise das causas do fracasso mostrou os seguintes resultados:

* A equipe japonesa continuava com um Chefe de Equipe e 10 remadores.

* A equipe brasileira, após as mudanças introduzidas pelo pessoal do Planejamento Estratégico, era formada por:

Um Chefe de Equipe

Dois Assessores de Chefia

Sete Chefes de Departamento

Um remador

A conclusão do Comitê que analisou as causas do novo fracasso foi unânime:

O REMADOR É UM INCOMPETENTE!!!
Em 1996, uma nova oportunidade de competir com os japoneses se apresentou. O Departamento de Tecnologias e Negócios do Brasil pôs em prática um plano destinado a melhorar a produtividade da equipe, com a introdução de mudanças baseadas na nova tecnologia e que, sem dúvida nenhuma, produziria aumentos significativos de eficiência e eficácia.
Os pontos principais das mudanças eram o "resizing" e o turn-around" e, sem dúvida, os brasileiros humilhariam os japoneses. O resultado foi catastrófico, e a equipe brasileira chegou à meta três horas depois dos japoneses!!!

As conclusões revelaram dados aterradores:

* Mantendo a sua tradição, a equipe japonesa era formada por um Chefe de Equipe e 10 remadores;

* A equipe brasileira, por sua vez, utilizou uma formação vanguardista, integrada por:

Um Chefe de Equipe

Dois Auditores de Qualidade Total

Um Assessor especializado em "Empowerment"

Um Supervisor de "Downsizing"

Um Analista de Procedimentos

Um Tecnologista

Um "Controller"

Um Chefe de Departamento

Um Controlador de Tempo

Um remador
Depois de vários dias de reunião e análise da situação, o Comitê decidiu castigar o remador e, para isto, aboliu "todos os benefícios e incentivos em função do fracasso alcançado".
Na reunião de encerramento, o Comitê, fortalecido com a presença dos principais acionistas, decidiu: "Vamos contratar um novo remador, mas utilizando um contrato de Prestação de Serviços de Terceiros, sem vínculos trabalhistas, para não termos que lidar com o sindicato que, sem dúvida nenhuma, degradam a eficiência e a produtividade dos recursos humanos".
Em 17/8/2001, a mesma história foi enviada à lista de debates Novo Milênio pelo internauta santista José Carlos Santana Cardoso, como repasse de mensagem enviada por Mary Hellen, com o adendo explicativo:
"Agora o pior:
Essa história veio dos EUA, e foi apresentada por um professor da Universidade de Maryland, sobre a administração no Brasil, como piada em sala."
Encontrei este texto no site Novo Milênio:
Porém o pior de uma piada como essa é reconhecer empresas que atuam com a mesma cegueira gerencial.

20 dezembro, 2008

Só o google salva...


Em tempos que o google aparece com uma força construtiva e destruidora ao mesmo tempo, parece cada vez mais usual ser dependente dele, mas se você acha que a charge acima é apelativa e descabida que tal a charge do Maurício Ricardo, do Charges.com.

Lá vai o link:
http://charges.uol.com.br/2008/09/04/cotidiano-achou-a-fe/

Impagável.

Onde estão os ícones?

Quem já não se pegou escrevendo em uma folha de caderno e teve reação parecida?
Sabe aquela sensação de que a vida seria mais fácil, se houvesse o CRTL+Z e o CRTL+V, instalado no seu caderno.

A TV fica cada vez mais fininha....


Era para ser só diversão, mais resolvi postar dois textos interessantes para todos nós lermos.

Um texto bem burocrático, porém explicativo
http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?303
Um texto mais objetivo
http://cyberdiet.terra.com.br/cyberdiet/colunas/030516_nut_mandamentos.htm