09 fevereiro, 2009

Luminus

Brilho é a irradiação do momento
Vidas sem brilho são vaga-lumes aleijados
Não lhes falta asas nem luminosidade
Mas a vontade de iluminar

Seja uma luz auto-suficiente
Esperar pela energia alheia
É contar com o improvável

Ser feliz é fingir-se de sol
Irradiar a todos os que o cerca
Furar o manto da escuridão
Deixando a luz transpassar o medo

FRAMES

Existem instantes que marcam. Determinam uma vida. Dividindo-a em antes e depois, como um véu que se dissipa e revela aos olhos incrédulos uma nova realidade. São eventos triviais e intensos, como o beijo roubado no meio de um sorriso, ou o adeus – seco e doloroso – no desenlace das mãos apaixonadas. E, tais quais velas desregradas, balançam ao vento do destino, impedindo medições aprimoradas.

São estalos de puro ardor e medo, como o nascimento do filho indesejável que sempre te esperou em segredo. Ou a leitura, lenta e colorida, daquele poema - estranho e intensamente perturbador. São atos luminosos, como a morte anunciada (e temida) do parente próximo, ou como aquela onda – lembra? Aquela que te derrubou na praia e te fez sentir medo, muito medo. São flashes de sentido, luzes negras revelando segredos, como o instante antecessor a penetração que te revela o fim da virgindade.

Ver Chaplin pela primeira vez é um destes momentos. Perder o amor nunca conquistado, e o enrijecimento incontrolável durante a descoberta da mentira e a vergonha sublinhada no olhar reprovativo de sua mãe, também.

Para alguns é o encadeamento desses fatos, sua sucessão (i)lógica, que traduz em sentido o mistério reticente, como se o resultado da equação explicasse os motivos da soma. Para outros é a espera, a cadência harmoniosa de cada acontecimento que justifica o viver, como se a cerca fosse definida pelas estacas que a sustentam.

Infelizmente a maioria das pessoas não os percebe, não os vê. Acolhendo, com agrado os joelhos de gigantes aleijados. São canhestras formigas, que sempre terão uma tela de cinema num quarto escuro abandonado: inútil, mas com propósito.

Porém, existem os outros. Poucos é verdade. São os que amam como supernovas, os que engolem os desafios e as canduras sem perder suas bússolas. São os senhores de seu destino, os capitães de sua alma, são escritores, artistas e pedreiros. Podem ser estadistas, filósofos e até lixeiros. Não importa. Para estes, sempre haverão as horas mágicas. O incansável itinerário do relojoeiro cego.

08 fevereiro, 2009

O Leitor (Um filme que podia ter dado certo)


Se alguém lhe convidasse para assitir um filme sobre um romance entre um adolescente e uma mulher madura, sendo esse romance ambientado em meio ao Holocausto judeu. Você aceitaria o convite?

Não está confiante?

O filme foi indicado ao Oscar, cinco vezes pelo Melhor Roteiro Adaptado (David Hare), Melhor Fotografia (Chris Menges, Roger Deakins), Melhor Atriz, Melhor Diretor (Stephen Daldry) e Melhor Filme.

E mais, o filme tem como atores principais a encantadora Kate Winslet e o Fantástico Ralph Fiennes.

Sei o que está pensando, toparia na hora. Certo?

Eu pensei igual.

E foi uma das minhas maiores decepções cinematográficas...

O Roteiro
Um emaranhado de possibilidades não concluídas.

Atores
Kate Winslet, interpreta Hanna, uma alemã pobre que trabalha em um bonde e remoída pela tristeza busca nos braços de um jovem garoto, Michael, uma felicidade efemêra, além de um pouco de cultura pois antes das tardes de sexo, o rapaz lê clássicos da litaratura mundial para Alemã.

Ralph Fiennes é o garoto em sua fase adulta, mas a sua atuação é tão apagada que merece um bom silêncio.

David Kross, interpreta um jovem, que encontra um mulher mais velha e fica desconcertado e apaixonado. Nada que alguém na idade dele não fizesse. Em resumo, qualquer ator juvenil que fizesse aquele papel faria parecido.

A Cena
Durante o Julgamento de Nuremberg, Hanna é acusada de selecionar judias para voltar para Auschwitz, o que seria considerado crime de guerra.

Ao ser pressionada pelo juiz, para que apresentasse os motivos de tal seleção, ela respondeu com uma sinceridade fria e depois com uma indagação.

Fazíamos por que não havia espaço para os novos refugiados e lançou ao juiz a seguinte pergunta:

O que o senhor você faria no meu lugar?

A cara do juiz sem resposta, é impagável.

O Filme
Muito fraco, pois ...

Não aprofundou a discussão sobre a moralidade, os conflitos familiares, amores não padronizados e nem mesmo Holocausto

Não foi inovador nas cenas de sexo.

E exagerou no politicamente correto.

Comentário Pessoal
Errar em escolher filme, não é o meu forte, mas dessas vez o alvo não passou nem perto. Foi uma tarde extremamente chata, devido ao filme.

Mas o que mais me impressiona é a escolha do Oscar.

Premiar um filme que não tem continuidade, inovação e ousadia, só nos resta a pensar que o filme foi escolhido pelo Tema, o que me desculpe os judeus, é uma grande bobagem!

Dicas

Critica de Lais Cattassini
http://www.cinemacomrapadura.com.br/criticas/1289/leitor,_o_(the_reader_2008)

Release do Adorocinema
http://www.adorocinema.com/filmes/leitor/leitor.asp

06 fevereiro, 2009

Eu, em dor e mente amparado...

"Há lugares onde o espírito morre a fim de que nasça uma verdade que é a sua própria negação" (Albert Camus)

Eu estive a pensar em vidas difíceis. São quase todas... Instaurou-se este pensamento a partir de Madalena - a bíblica rameira e rememorada por "Manuelito" Eduardo Campos na protagonista arrependida de "O Morro do Ouro". Daí para o desvario prodigioso da memória foi um estardalhaço.

Naquele dia, Eu, dezessete anos, pré-vestibulando aterrorizado na Capital, viajaria num TL vermelho com amigos rumo a Limoeiro do Norte. Saindo do Colégio Cearense, noite acesa de uma sexta-feira, vinte e duas horas, o encontro seria na praça Coração de Jesus. A partir dali, toda uma via sacra a descambar em um epílogo profano. Ajuste de bagagens e a assertiva de um: - Vamos jantar, pessoal, uma cervejinha, e a gente vai embora!...

A primeira parada: "Ladeira". Aquele velho restaurante fora ponto certo no caminho da lembrança de insensatas tardes no "Saint-Tropez", em plena Leste-Oeste de tantos descaminhos em fins de semana posteriores... Pois bem, desde o "Ladeira", adiante, o mundo tornou-se caldo de anseios e descobertas.

Segunda parada... Eu nunca poderia imaginar que nos altos da Mesbla, pela rua General Sampaio, ao lado do Theatro José de Alencar, aqueles seios apertados por faixas douradas, o cigarro em piteira, invadiriam o olhar do garoto espantado. Já se mantinha forçadamente esquecida visão semelhante de Eu, proibida, de dois anos antes, em que se viu na "Boite Iracema", na Carnaubinha, lupanar limoeirense pleno de mistérios ao jovem que apenas solicitara um carona no Jeep de Totonho até o Arraial, para assistir São Raimundo x Palmeiras... Aquelas eram gorduchas, indiferentes, amedrontadoras... Diferentes das "francesinhas" da Mesbla, empoadas em fantasia.

Naquela noite, os gestos ansiavam por caminhos tortos. Pois dali as próximas estações foram por portas travessas... Bares escuros, inferninhos, mulheres atrevidas, sete vidas...

Anos depois, Eu recordaria de sua ingenuidade diante do espelho gigante da rua Senador Alencar. O "Senadorzão" era palco solene depois do expediente bancário. Uma caderneta com o emblema do Botafogo se tornava rubra entre anotações. Outras visões também surgiram, quando, por outras vias, Eu acendera a curiosidade nos velhos edifícios da avenida Alberto Nepomuceno, sob o "Tatazão". Ali, a cerveja fria era cúmplice ante os cubículos de meia parede, onde falsos amores se consumiam entre gemidos.

Na rua do Trilho de Ferro, Adolfo Caminha deu espaço a seu romance A Normalista, e por lá, no que hoje se denomina avenida Tristão Gonçalves, havia também um palco para uma irônica fantasia de "strippers". E, ainda, sobre as areias da Praia do Futuro, um circo montado recebia aplausos de uma geração que se extasiava pela suposta atitude artística de transformistas, a entoarem "We are the champions", do Queen.

Fortaleza era mais autêntica e as recomendações do enfermeiro da rua Castro e Silva pareciam ingênuas diante do falso progresso que sacudiria o futuro. Hoje, o que essas menininhas euro-doleiras têm a ver com as garotas Coca-Cola de antanho do estranhamente renascido Estoril - fênix depenada da Iracema prostituída?

Aqui, ali, alhures... Em remotas eras, hoje, sempre, a lição do mundo se converte em delírios de Sade, em perversões de Henry Miller e Anaãs Nin, em sínteses eróticas de José Alcides Pinto. Calígulas e Messalinas reproduzem-se em progressão geométrica. O que Eu entende dessa vida? Importa para ele existir, mesmo seja a existência tão dolorosa de vez em quando... Melhor jogar a primeira pétala, não a pedra, como já disse Odilon Camargo...

O estatuto da cortesia deixou de ser o espetáculo em segredo da raça, conforme perversamente contara um Silvino em páginas antológicas de "Um jornal sem regras", pespontadas por Fd'I, Falcão, Tarcísio Matos e tais... Tudo se manifesta de forma tão absurdamente livre, que a libido e o desejo se transtornam em meros jogos de automática afirmação. O pecado, ah! o pecado!, é apenas uma idiossincrasia na parede da memória. E não dói mais, como seria a dor uma dádiva da vida e da generosa fruição da existência.

É certo: não sei mais daqueles amigos de viagem, mas os olhares perdidos de Margots, Bristaldas e Perpétuas soluçam na memória. Nomes nunca sabidos ponderam estigmas ante tanta permissividade dos dias de agora. Eu questiona seus pensamentos. Talvez esteja começando a sair da zona tórrida da devassidão. Talvez esteja diante de falsas verdades. Ou, mesmo, desistindo da realidade, falseada como verdade. Eu talvez pense apenas em vidas difíceis, imaginando que o perigo maior seja desconhecer que viver é só uma solução.

Jorge Pieiro, Cearense, Escritor

02 fevereiro, 2009

TODOS QUEREM DIZER/OUVIR, "EU TE AMO!"

Ele chegou preocupado em sua casa. Não sabe bem ao certo por que falou aquela maldita frase justamente naquele momento. Queria encontrar uma explicação para aquilo, mas não chegava a nenhum argumento plausível. Agora que falou, sabia que iria ter que agüentar as conseqüências.

Em mais de quinze anos de vida sexual ativa, aquela foi a primeira vez que disse “eu te amo!” durante o sexo.

Na verdade, tudo não passou de um impulso. Quando estava próximo ao orgasmo, sentiu uma vontade incontrolável de dizer algo, então, resolver dizer “eu te amo!”. Mas ele sabia que foi um erro terrível, pois esse tinha sido o segundo encontro deles, e a primeira vez que foram para a cama. Com certeza, no dia seguinte ela iria ligar para ele querendo saber por que ainda não tinha ligado para ela. E pior, usando aquela vozinha dengosa de mulher apaixonada. E pior ainda, chamando-o de “mô”! Não, não. Ele não poderia entrar numa dessas, e já sabia o que deveria fazer: Iria deixar o celular desligado por, pelo menos, três dias. Assim, ela iria se cansar de tentar falar com ele. Pronto, resolveu o problema! Sorte ele ser um cara tão esperto.

Se sentiu mais calmo e o sono logo veio.

Enquanto isso, ela, em seu apartamento, apagava o nome dele do seu celular.

- Um homem que diz “eu te amo!” pra uma mulher, na primeira vez que vai pra cama com ela, só pode ser louco! Acho que vou mudar o número do meu celular...

Brasil é 8º em ranking de transparência do gasto público

GUSTAVO URIBE - Agencia Estado

SÃO PAULO - O Brasil está na oitava posição do ranking de países de maior transparência na administração dos gastos públicos, de acordo com relatório divulgado ontem pelo International Budget Partnership (IBP), instituto americano responsável por analisar e monitorar a transparência de governos na divulgação de seus gastos.

Em estudo realizado com 80 países durante o ano passado, o relatório aponta que cerca de 80% deles não prestam contas de seus gastos.Para medir a diferença no grau de transparência entre os países, o instituto criou o Open Budget Index, que vai de 0 a 100%. No ranking da IBP, o governo federal brasileiro atingiu 74%, ficando à frente da Alemanha (64%), Índia (60%) e Rússia (68%). O relatório aponta que os dados fornecidos aos brasileiros quanto aos gastos públicos são "satisfatórios", elogiando o compromisso do Brasil em divulgar seus dados e a possibilidade da população de acompanhar os gastos e planos anuais de governo.

No entanto, o IBP indica que o País tem "certa dificuldade em monitorar os seus gastos" e só os publica uma vez por ano, uma vez que o ideal seria publicá-los a cada semestre. Outra crítica ao Brasil é a falta de clareza na divulgação das informações, que, em "linguagem técnica", torna pouco acessível o entendimento do público em geral, com o que concorda o coordenador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), João Roberto Lopes, entidade responsável pelo envio de informações ao IBP. "No Brasil, é possível acompanhar os dados orçamentários pela internet, com um bom nível de detalhamento, embora a linguagem usada não seja tão compreensível a todos", disse.

Segundo Lopes, apesar da boa classificação, o Brasil apresenta gargalos na divulgação das contas do governo, principalmente em estatais como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Petrobras, Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal (CEF). "O orçamento não contempla os gastos das grandes estatais, o que permite irregularidades e investimentos que não são de interesse da população", afirmou.

Os mais e menos transparentes

Os países que apresentaram informações insuficientes, segundo o ranking, foram Sudão (0), Arábia Saudita (1%), Argélia (1%), República Democrática do Congo (2%) e São Tomé e Príncipe (2%). Outros que também apresentaram níveis de baixa transparência foram Bolívia (6%), Honduras (11%) e China (14%).

Alguns países foram classificados como altamente transparentes e disponibilizam grande quantidade de dados para a população durante o processo orçamentário, como Reino Unido (88%), África do Sul (87%), França (87%), Nova Zelândia (86%) e Estados Unidos (82%).

Dentre os mais transparentes, há tanto países desenvolvidos quanto nações em desenvolvimento. A presença da África do Sul, bem como Eslovênia, Sri Lanka e Botsuana (todos fornecendo informações significativas para suas populações), demonstra que países em desenvolvimento, segundo o relatório, podem obter transparência se houver vontade suficiente dos seus governos de serem abertos e de prestar contas a sua população.

Fonte:
http://www.estadao.com.br/
http://www.internationalbudget.org/


Comentário pessoal:
Indepedente de cor partidária ou ideológica, essa é uma notícia que faz bem para o ego. Afinal somos vitoriosos em campanhas, mas os títulos nunca são honrosos.

Tudo está perfeito. Certo? Muito pelo contrário, porém a transparência nos gastos ajuda a fiscalização por parte da sociedade e influencia no bom aproveitamento do nosso dinheiro. Parabéns gestores, melhorem ainda mais!

01 fevereiro, 2009

O Curioso caso de Benjamin Button




Assistir um filme é uma experiência que pode variar entre o óbvio e o fantástico, sendo o meio termo entre os dois o mais comum, considerando que você saiba escolher filmes.


Porém quando o filme que você assiste é fantástico, você tem um obrigação histórica de comentar com o maior número possível de pessoas.


Esse filme é O curioso caso de Benjamin Button, uma história surreal de um garoto que ao nascer possui todas as doenças de uma pessoa velha, mas para sorte do garoto irá rejuvenescer até atingir a idade de uma criança.

Atores:

O filme tem excelentes atores, nos quais destaco Brad Pitt (Benjamin), Cate Blanchett (Daisy) e Tilda Swinton.

A Cena:

A cena com brilho especial é quando Cate se insinua para um Brad Pitt boquiaberto, em uma dança sensual, sendo ela coberta pela beleza da noite.

O roteiro:

O roteiro é ágil, divertido e dramático, tudo na dose certa. Três horas quase impercepitíveis, tiradas humorísticas fiéis a um bom Stand Up Comedy e um drama sóbrio que mostra a dor, sem torná-la o fim do mundo.

O filme:

Quase perfeito, com exceção de algumas proximidades desnecessárias com o Forest Gump e a falta de raiva em quase todo o filme do Brad Pitt (imagine a sua infância em uma cadeira de rodas ou a sua maturidade longe da mulher que ama ).


Mas se foi quase perfeito, quem é o responsável? Digo que são dois, o primeiro o autor do conto F. Scott Fitzgerald e em segundo David Fincher, diretor do filme. A obra já é prima, mas contada com habilidade terá a capacidade de atingir mais pessoas.


Comentário mais que pessoal:

Assistam o filme de mente aberta e perceba por mais estranho que seja a narrativa, por mais que a sequência cronológica seja díspare, é o momento que importa, pois mesmo com cem anos ou sem idade a registrar, haverá sempre momentos marcantes e o Benjamin soube viver cada momento.



A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?

Charles Chaplin

Maquiagem, Fotografia, Som, Música deixo para os especialistas, eles que comentem.


Dicas:

Uma interessante Crítica, com Amenar Neto
http://www.cinemacomrapadura.com.br/criticas/1277/curioso_caso_de_benjamin_button,_o_(the_curious_case_of_benjamin_button_2008)
O trailler:

26 janeiro, 2009

A LATA

Dois amigos – críticos de arte – caminhavam pelo Museu, analisando e discutindo todas as obras. Quando estavam passando pelo corredor a caminho do próximo saguão, se depararam com uma peça que os surpreendeu.

- Marcos, veja que peça fantástica!! – disse um deles.
- Nossa, é realmente fantástica, Albert! – concordou o amigo.
- Claro que não é de vanguarda, mas ela exala revolução! Pode não ser inovadora, mas arrisco dizer que é transformadora.
- Estou fascinado! O artista se expressa claramente através da contracultura. Essa obra é densa, mas ao mesmo tempo é clara!
- Com certeza é prole do Dadaísmo. Há uma forte influência de Marcel Duchamp. Até podemos dizer que esta peça é uma parente distante da “Fonte”.
- Claro, claro! Mas, além de Marcel, me lembra também “Luxo” de Augusto de Campos. Você recorda?
- Sim, sim! É provável que “Luxo” tenha influenciado esta obra. Mas não podemos negar que está “impregnada” de Duchamp.
- Está impregnada de sujeira e mau cheiro. – diz um senhor que observava a conversa dos dois.
- O que você quer dizer com isso?! – pergunta Albert, surpreso.
- É! O que você quer dizer com isso?! – Marcos repete a pergunta.
- Que isso está sujo e fede, ora!
- Você é crítico de qual revista??!!
- Eu? De nenhuma, senhor.
- E quem você pensa que é para criticar essa obra de arte? – pergunta Albert de forma teatral.
- Eu sou o zelador do museu, e tenho que recolher o lixo dessa lata aí que os senhores estão admirando, e colocar a lata de volta no banheiro masculino. Se os senhores me derem licença... Isso. Obrigado!

A procura incessante


Caro leitor de blogs, azarado por natureza, provavelmente nasceu já inserido na web e provavelmente não chegou a ler livros em sua versão original, ou melhor em sua versão de papel.

Amigo ou amiga anônima, que se diverte com textos bem ou mal escritos escritos, seja pela qualidade ou pela originalidade, perde noites em claro buscando o santo graal dos blogs, aquele blog que irá lhe entender, pois será divertido sem ser vulgar, será inteligente sem ser intelectual, será moderno, porém real, o super blog, o blog divino.

Você passará horas e mais horas na frente dele, perderá projetos importantes no trabalho, amigos deixarão de conversar com você ao vivo, sua família perderá contato, até seu cachorro morrerá de fome devido a sua ausência existencial.

Mas tudo será recompensado pelo novo post, perfeito como sempre. Único, pelo menos pelos os próximos trinta segundos.

19 janeiro, 2009

Beijo


Beijo
Um desejo,
Expressão do coração
Ou de uma mente apaixonada

Ato conjunto
Forma de corações
Apaixonados se comunicarem

A cada Beijo
A ânsia e o desejo
De aproximar os corações
Corpos
Almas
Mentes

Início da união
De dois
passando a um

Pode durar
Mas quem liga para a duração
Se o beijo é dado
Ele nunca mais será tirado

QUAL A DIFERENÇA?

Não entendo o porquê de tanto estardalhaço, devido o presidente dos Estados Unidos ser negro. Os líderes dos países da África também são negros e ninguém fala nada.

Vai entender...

AUTO-AJUDA

Dentre tantas coisas que me aborrecem [que são muitas], os livros de auto-ajuda, com certeza, estão entre elas.

Partindo da idéia que estou “ouvindo” os conselhos do escritor [do livro de auto-ajuda], então, deixa de ser auto-ajuda e passa a ser uma espécie de – digamos – consulta.

Como é que pode uma pessoa dizer qual é a melhor forma como eu devo agir para melhorar completamente a minha vida? Alguém pode até defender utilizando do argumento que os sentimentos (dor; amor; ódio; tristeza e etc.) são iguais em todas as pessoas. Porém, eu rebato dizendo que, cada ser expressa esses sentimentos em maior ou menor intensidade. E é justamente isso que nos faz tão complexos, é a nossa “particularidade”.

Aí, vem uma pessoa que não me conhece, provavelmente não compreende a minha cultura, não acompanhou a minha formação, e diz que basta eu sorrir e dizer “obrigado”, que o mundo – misteriosamente – sorrirá de volta pra mim.

Não, o mundo real e as pessoas reais que vivem nele são um pouco mais complicados que isso.

Ele [escritor] pode até entender a mente humana partindo do pressuposto de um comportamento padrão, mas a mim, minha alma, minha essência, ele não tem como compreender, portanto, não deve me dizer o “modo correto” de agir.

Não estou dizendo que, esses livros não servem para algo, mas as pessoas é que ainda não entenderam que a felicidade não está na prateleira de uma livraria aos montes e na sua 25ª edição.

Enquanto lêem esses livros aprendendo como se deve viver, elas esquecem de viver realmente, e só confirmam o quanto não conseguem se “auto-ajudar”, sempre procurando conselhos de um guru que, esse sim, soube se auto-ajudar, afinal, para isso os livros serviram, para enriquecê-lo.

Mais uma vez, quero esclarecer que não falo isso em detrimento dos livros, pois sou defensor do pensamento que toda leitura tem sua importância. Basta que, você, saiba “filtrar” as informações que lhe serão necessárias. Isso sim, seria auto-ajuda. Ou seja, você, procurando nas suas experiências de vida o melhor modo de enfrentar a situação.

Se prender a esses livros seria o mesmo que se anestesiar para não sentir a dor, ao invés de conhecer o mal que lhe assola e tomar o medicamento que combateria a doença.

Mas no final das contas, o mais estranho é que a medida que vejo meu texto desenvolvendo, deixo de “atacar” o livro de auto-ajuda e adoto a postura de conselheiro, dizendo como as pessoas devem proceder diante desses livros. Vai entender, né? Talvez seja uma necessidade humana, dar pitaco na vida alheia...

Em julho, peixe come verdura?

O escritor Jorge Pieiro encontra o Eu e a partir dele viaja e volta, de leste a oeste, e descobre que aqui é qualquer lugar

O que é útil e mesmo necessário ao homem está ao seu alcance, mas o que ele admira sempre é o inesperado. (Longino)

O prumo literário de Eu é o de um anarco-surrealista em busca de uma dose de absinto. Sinto que não pode ser tão fácil assim para ele correr nessa raia insana. Ana - uma Bolena qualquer desta Fortaleza - um dia olhou para olhos vermelhos de Eu, que lhe perguntou se já havia realizado alguma viagem ao incerto da terra, tendo como guia aquele Rick Wakeman já sem longo cabelo. Belo foi o espanto dela. Ela se mostrou resistente à resposta. Posta na mesa a dúvida, foram consumidos alguns relatos de Eu sobre viagens reais ou delirantes e, solta no ar, a questão-título desta crônica, talvez para fisgar qualquer atenção. Tensão, pois, ao admirável inesperado.

viagem viagem
Na BR-116 Eu trafegava em um Passat bege. Viera resmungando mantras desde o susto na barreira rodoviária. Sentia a força misteriosa que lhe sacudia o tronco, aqueles sons de vaca sagrada que imaginara ter ouvido numa sessão de ioga. Apropriara-se do delírio inusitado e imaginara estar piloto de um disco voador ali pelas alturas da Aerolândia. Psicodelismos sem incentivos externos - afinal, endorfina misturada com adrenalina servem para provocar isto mesmo - quase o levaram ao êxtase. Mas todo cuidado é pouco, apesar de que a imaginação é uma arma muito decente... E Ana achou graça. Nunca passara por aquilo...

de leste a oeste
Tanto fez, se a bordo de uma camionete com aimarás na fronteira do Peru, ou no furgão de um ex-refugiado em Tiahuanaco, ou nas asas da Lloyd Aero Boliviana, ou na canoa sobre o Titicaca, ou no trem da morte desde Puerto Suárez, ou no táxi para a Estação da Luz, ou no jeep vermelho em Bamberg, ou no Antonov 26 rumo a Cayo Largo, ou no trem a partir da Estación de Chamartín, tanto fez, se todos os caminhos terminaram ante o boi de pedra de defronte ao saguão do velho Aeroporto Pinto Martins, nas cercanias da Lagoa do Opaia, habitat do sapo-cururu ancestral. Voltar sempre foi um dilema. Esta Fortaleza, pensou Eu, é uma concha semi-lacrada, a falsa cela de Bárbara de Alencar no Forte Schoonenborch... E Ana sorriu desconfiada. Jamais imaginara tantos caminhos e nenhum destino...

daqui pra lá
Com um Evan(gelista), um viagem épica. Dois dias em um fusca amarelo rumo a Teresina. Fumaça, fome e farra. Mais fumaça e fome que farra. Viajar em todos os sentidos era o que dava o tom. Daqui pra lá, festa. De lá pra cá, cansaço, desespero, arrependimento. Eu não tinha mesmo o que fazer. Não bastasse, logo em seguida, o primeiro vôo, quase direto ao Geraldão, em Recife, para o rock progressivo do Rick. E, sem perder o rumo, salto distante à capital do Brasil para -ter-o-que-fazer na "Caminhada da Lua". Sem contar a loucura do semi-leito rumo a Belém, só para Ver-O-Peso... E Ana entortou o canto da boca, sem jeito, como se quisesse perguntar por que Eu voltava sempre...

o sem terno retorna
Eu ia todos os domingos ao centro Sobral da terra e retornava todas as terças à desalmada capital. O ônibus, ida e vinda, era nauseabundo e ninguém sentia. O povo era bom, mas não sabia disso direito. Nos terminais, em um, os pobres eram soberanos, como soberano fora o historiador e poeta Antônio Bezerra. No outro, Eu não entendia como podia ser tão fétido o caminho do alívio - dos ricos? E o engenheiro João Thomé certamente era só vergonha, onde estivesse. Uma amiga de Eu, pretendia um povo limpo!", apesar dos "pobres", mas também dos lixinhos jogados de Pajeros pretas dos que dizem pagar impostos, sic, para ter direitos...

aqui é qualquer lugar
Eterno é o retorno à convulsão... Eu sabe: de paz e sanidade é do que ele e esta Fortaleza necessitam... Para aquela Ana, Eu findara por admitir que a verdadeira viagem fora a daquele instante férias: ao coentro da guelra do peixe saboreado no Zé do Mangue, tardezinha de garças, de cheiro forte de chão e lama, de lua beirando a profana alegoria, de coração em pólvora, enfastiado de tantos problemas e de certas incertezas do cotidiano.

Crônica de Jorge Pieiro, Cearense, Escritor e Professor

15 janeiro, 2009

Inglórias e Eu nas alturas desfiadas

Dar-te-ei tudo isto, se prostrando-te diante de mim, me adorares. (Mat 4, 9)

O homem pós-moderno é muito mais insensível do que o moderno! Revitalizando as palavras de Anatole Baju em seu Manifesto Decadente, de 1886, Eu sacode os ombros e decide sofrer as verdades desta vida destoante. Apóia-se no silêncio e enfia-se em escadas invisivéis rumo aos píncaros, de onde a queda é mais grave.
Na verdade, Eu revive conflitos. Paradoxos e barroquismo. Ou fantasia a serenidade e transforma-se em nefelibata - aquele que anda ou vive nas nuvens. Daí todo esse cortejo de experiências sendo reavaliado. Trazendo no peito a marca dos angustiados, Eu experimenta a tentação de ser alevantado às alturas, porque aqui por baixo ninguém mais se atura, nem em prosa ou em verso barato.
Pouco a pouco, desanovela o fio do nó da garganta... e esta Fortaleza - bela? -, das alturas, vai diminuindo de tamanho, visível por todos os lados, parecendo linda, pura, insana, confirmando a lógica perversa do de-perto-ninguém-ou-nada-é-normal, e vai se desanuviando, se renunciando...
Eu respira fundo, transporta-se a outro tempo e lugar, e sente a primeira vertigem. Volta ao lugar de nunca mai. E do alto da torre da igreja de Santo Antônio, escalada furtivamente, entre morcegos, cheiros de vela e sombras da mente , uma coleção de Carlos Zéfiro acentua o primeiro desejo. e no olhar distanciado e satisfeito ao alto de um prédio ao largo, uma velha águia repousa, como se estivesse crucificada, sobre o globo terrestre. Profanando a sua própria história, Eu imaginava a ave defecando pedrinhas sobre o mundo...
Passe mágico, Eu veste-se de medo, desta feita no alto da coluna da hora na praça Capitão João Ennes, perseguindo o rastro de uma gosma existencial deixada pelos ponteiros em sua vertigem eterna. Muito além, a Chapada do Apodi e seus escarros de poeira vermelha firma-se como um altar de sacrifícios. Tonto, Eu parecia ruminar verdades em alguma cadeira a balançar no alto de uma roda gigante do Parque Brasil.
Veio, então, a vez de sobrevoar outra mesma divindade. Eu, filho de Nossa Senhora da Assunção, desviou seu carinho profano para Nossa Senhora da Conceição. Limoeiro do Norte passou a ser um monóculo escondido na gaveta, quase a doer, e as cores de Fortaleza, vistas de cima, era quase encantada pelos pontos luminosos salpicados da arte de Zé Tarcísio, e forjaram espinhos na garganta de Eu. Mas era só miragem...
Eu não pretendia ser universal cantando a mirrada aldeia ou a desgastada Aldeota, mesmo porque todos os lotes do senso comum eram clandestinos. O poeta exilado desta paragens Adriano Espínola já se manifestara do alto do Hotel Savanah, em 1982, ao lançar sobre a cidade, literalmente, seu desagravo , celebrando a urbe e a vida contemporânea, movida pela economia liberal-burguesa-consumista.
Eu não expressaria seu horror diante da torre da TV Cidade, quando ali do alto o malfado filho do mundo, entre a angústia e a desilusão, ouviu os gritos, grito de Münch avesso e deturpado, de uma canalha sem coração: "Pula, pula!" Quanta expressão de dor nos sons daquela audição escura, latente, terrifica, revelada por Augusto César Motta em trilha de filme nunca realizado!
Eu não desistiria do calabouço invertido dos céus em cenas de indizível prazer, em retornos desde Lima, Lommel, Havana, Quillacollo, Kolscheidt... Eu só não queria a vida desse jeito, Abel Silva, asa partida... Eu só queria sonhar ou voar mais livre, sem o chumbo nas asas, sem o sol de Ícaro, sem o fim dos desejos.
Do alto deste edifício, moço, Eu apenas ansiaria o verde que se raspa das margens do Cocó; rogaria uma luz mais nítida, a clarear novas imagens coloridas, enfeitando mais uma vez o Morro Santa Terezinha; pediriria uma cruz mais viva para realinhar em novo tempo Pnzon e Diogo Lepe, nas dunas da Barra do Ceará...
Mas o homem pós-moderno é muito mais insensível! E este chão de nuvem transforma Eu em assasino da própria dor. E a vertigem se dá mesmo é no chão, por este chão de asfalto irregular, por estas vielas inchadas de mistérios e algozes, por esta falta de educação latente pelas ruas e calçadas.
Insensível, embora uma réstia de esperança ainda se produza, Eu sabe que esta ausência de certezas e de cidadania e o jogo premeditado de todos os jeitinhos recebem de braçoa abertos a fina flor da sociedade que se esmera em produzir o lixo da aldeia.
Não pela reminiscência lúdica em um chão de barro e piões e bolinhas de gude e chuva e lama, mas pelo chumbo de um céu caindo spbre as cabeças, este inglória é o que mais implora o que resta desse Eu consumido, prostrado diante de nadas.

Crônica de Jorge Pieiro, Cearense, Escritor e Professor